Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

No próximo domingo não votarei, vou abster-me. Podia votar em branco, mas isso acarretava deslocação, perda de tempo. Esta é a primeira vez que não tenho candidato definido. Em 2005 votei Cavaco Silva porque era o candidato ideal para o momento, tinha competência e deixava antever uma colaboração leal com o actual primeiro-ministro, José Sócrates. Não voto no poeta Manuel Alegre pelo que fez ao PS e ao Governo durante o seu mandato de deputado. Além disso Alegre está desfasado no tempo, aliou-se aos trotzquistas, agora defende o PS logo coloca-se ao lado do BE. As cenas que ele protagonizou na AR, votando ao lado do BE, não se esquecem facilmente. Tambem não voto em Cavaco Silva porque, durante esta campanha, tem-se revelado incoerente com as práticas políticas defendidas no anterior mandato. Promulgou o PEC III, mas vem agora criticar o Governo por cortar nos salários dos professores, dos juizes e magistrados, na função pública. Ameaça com uma "crise política", tendo em vista a dissolução da AR e a convocação de eleições para levar Passos Coelho e os seus boys ao poder. Estes, querem o FMI para mostrar a José Sócrates que "falhou", apelando a eleições. O Presidente, que nada disse nem esclareceu as "escutas a Belém" no verão passado, tambem resolveu não responder aos ataques dos adversários, que pediram esclarecimentos sobre o negócio de venda de acções do BPN e sobre a escritura de uma moradia no Algarve, no local onde compraram casa Oliveira e Costa e Dias Loureiro. Isto configura um "segredo de amigos", uma falta de transparência e o medo de que se possa revelar algo de menos correcto. Cavaco ao defender agora, em campanha, os professores, procede de forma desleal para com o Governo, e mostra que tambem ele é demagogo e populista. Tudo vale para arrebanhar votos. Entretanto José Sócrates desunha-se para levar o país a sair da crise, foi à Feira de Frankfurt, ao Qatar, aos Emiratos Árabes Unidos, tal como fez com o Brasil, China, Angola, Argélia, Libia... Nunca a nossa diplomacia esteve ao serviço da Nação, foi preciso Sócrates avançar com empresários, obrigando os diplomatas a "venderem Portugal" -- tal como fazem os EUA, a Alemanha, a França, a Inglaterra, a Espanha. Por cá, a campanha segue tristonha e sem ideias.

José Sócrates foi recebido hoje pelo Emir Sheikh Khalifa al-Thani

no palácio Diwan, no Qatar, onde foram firmados bons negócios.



publicado por Evaristo Ferreira às 18:23 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

A venda da dívida pública na quarta-feita, dia 12, foi considerada um sucesso, com a procura a subir 3,6 vezes o montante pedido e com um juro de 6,716 a dez anos, abaixo do esperado. Isto mostra que o país tem crédito, não precisa do FMI, só nos resta cumprir com os compromissos. Mas os que estão à espera do poder, precisam do FMI, como se este fosse D. Sebastião, o Desejado. A chegada do FIM, para eles, era o tiro de partida para convocarem eleições legislativas. chegarem ao poder, e depois desculparem-se com o FMI, até a crise passar... Isto mostra como o terreno está minado, politicamente. Cá dentro, e lá com ajuda externa.

Um dos "papagaios" externos que ficou furioso com o sucesso da venda dos 1.250 milhões, foi o senhor Paul Krugman, um economista americano, que tem poleiro no New York Times, e foi Nobel do ramo em 2008. Este "papagaio" farta-se de palrar, mas parece que ninguem lhe dá crédito. Lá por que foi crítico de George Bush, mas trabalhou para Ronald Reagan, o Nobel acha-se com poder para palrar sobre a crise que assola a Europa, e que teve origem no seu país, os EUA. O galardoado economista, sobre a venda da nossa dívida, disse o contrário de todos: "Foi uma vitória de Pirrro... com juros a 6,716 não é foi uma vitória, foi uma morte anunciada", disse o "parrot".  Que terá o senhor Krugman para mostrar assim tanto ódio e rancor contra Portugal? Os juros são elevados? Mas a Grécia está a pagar 11,34 e a Irlanda 8,46... apesar do FMI e da UE terem "salvo" estes dois países... Mesmo depois do "resgate" pelo FMI, estes países pagam juros obscenos pela sua dívida. Mas o "parrot" Krugman não se irrita por isso, ele só "vê" Portugal e quer que o FMI venha redimir os nossos pecados. Quem terá encomendado o sermão ao senhor Krugman?  Será que os ex-colegas e amigos de António Borges estão a ser convocados para esta "campanha" a favor do FMI?... É que o senhor Krugman ficou irritadíssimo na quarta-feira, quando foi informado do sucesso da venda, e este sucesso se espalhou a todas as Bolsas europeias e americanas...

Não gosto de "papagaios". Neste caso prefiro o economista Joseph Stiglitz, um Nobel de 2001, crítico dos "fundamentalistas do livre mercado", uma coisa que o senhor Krugman não tem a coragem de criticar, embora seja conhecido como um keynesiano. Resumindo: nunca esperei ter de me "enxofrar" com um "parrot" que tem poleiro num blogue cedido pelo mais influente jornal americano, onde palrou (irritadiço) sobre o meu país.

Os ressabiados dizem cobras e lagartos da China... Vai-nos sair muito cara

a ajuda , traduzida na compra da dívida -- dizem eles. Mas na Europa todos

querem a China. Nos últimos dias Espanha concretizou 16 acordos com a

China no montante de 7,5 mil milhões; a Alemanha concretizou 11 acordos

no valor de 4.810 milhões mais 3.850 milhões com a Volkswagem e Daimler;

Inglaterra somou 15 acordos no montante de 4.000 milhões e ainda ganhou,

por emréstimo, 2 pandas para o Zoo de Londres... Só os ressabiados choram.

 



publicado por Evaristo Ferreira às 18:28 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

A propósito da ameaça de uma "crise política", feita ontem pelo candidato Cavaco Silva, permito-me transcrever aqui o conteúdo da coluna "Um Ponto é Tudo" que Ferreira Fernandes subscreve no DN, diáriamente, com grande brilho, poupança de palavras, muita assertividade, contundência e ironia: "Nem o FMI chega nem a gente almoça. Todo o santo dia, todos os dias da semana, o apelo ensurdecedor: «Sobe, sobe, marujinho/Àquele mastro real/Vê se vês falência de Espanha/O FMI em Portugal». Nunca um país teve tantas almas penadas com a mão em pala e os olhos no horizonte -- a posição favorita dos economistas em Portugal. Excepto, claro, quando se trata daquele professor de Economia que é candidato -- embora nunca político, porque isso nunca o foi, credo! -- e nessa condição de candidato é o único economista do mundo que se faz fotografar em cima do capô de um automóvel a agradecer aplausos. Esse, o do capô, é suficientemente cágado para não apelar: «Acima, acima gajeiro/Acima ao tope real!/Topa falência de Espanha/O FMI em Portugal». Não, esse costuma fazer de conta que quer a nau catrineta chegada a bom porto. Mas em dias, como ontem, em que se acalmam mares e ventos, dias em que surge a ténue esperança de a nau chegar a terra, esse, o cágado, retira a máscara e declara: «Não podemos excludir a possibilidade de ocorrer uma crise grave em Portugal, não apenas no plano económico e social, mas tambem no plano político». Se é isto um político responsável vou ali e já venho. Vergonha para os políticos portugueses -- e falo dos de todos os partidos que estão dispostos a governar -- que não souberam apresentar alternativas a este sonso".

Lapidar. Eu não conseguiria dize-lo com mais propriedade.

Apesar de tudo, chegada a bom porto... [Cortesia do Jornal de Angola].



publicado por Evaristo Ferreira às 18:18 | link do post | comentar

Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

O Governo conseguiu vender, como estava previsto, 1.250 milhões de euros de dívida pública à taxa de 6,716, muito abaixo do que era esperado e quando ainda há poucos dias os "mercados" cobravam 7,168. Cá dentro e lá fora, este processo foi seguido com atenção pelo Governo, pelos media, pelo BCE e por Angela Merkel. No final todos ficaram satisfeitos. Quem não gostou e desvalorizou o resultado foram todos aqueles que montaram a "campanha do FMI", denunciada no meu post de segunda-feira com o título de "Cambão Político (1)". O sucesso de colocação da dívida foi aplaudido em Espanha, em Londres, Alemanha e França. As Bolsas europeias e americanas dispararam em sinal de alívio. Num inquérito promovido pelo Wall Street Journal on-line, 70 por cento dos votantes não acreditam que Portugal necessite do FMI. O primeiro-ministro português prometeu que tudo fará para resolver os problemas do país, e confirmou-o mais uma vez, desta feita em Frankfurt, onde se apresentou com uma delegação de empresários ligados à exportação nacional. Amanhã segue para o Golfo, visitando o Qatar e os Emiratos Árabes Unidos, certo de que o país precisa diversificar as exportações. Por cá, a campanha eleitoral vai cumprindo o calendário, mas hoje foi aberta uma janela, aberta pelo candidato Cavaco Silva, que poderá conduzir o país a uma "crise política"... Falar disto hoje, após o sucesso da venda da dívida pública, quer dizer que o candidato Cavaco Silva está em linha com a "campanha" delineada por Passos Coelho que tem por objectivo provocar eleições antecipadas para o PSD chegar ao poder. Cavaco Silva, sendo reeleito, irá ceder à pressão do PSD, que é o seu partido político. Entretanto, o guião da "campanha" vai sendo cumprido pelos amigos, cá dentro e lá fora, designadamente aqueles que estão ligados a instituições internacionais, como sejam os grandes bancos, as empresas de rating, o próprio FMI. Não esqueçamos que António Borges é funcionário desta instituição para a Europa e é militante do PSD.

Chegados aqui, e apesar do Governo estar a trabalhar no sentido de levar o barco a bom porto, é por demais evidente a acção da rede de concluios montada, e que está a "operar a máquina" que vai cilindrar José Sócrates conduzindo, assim, o país para eleições antecipadas.

Os acontecimentos de hoje, em plena campanha eleitoral, mostram que Cavaco Silva tem um plano: criar uma crise política para levar o PSD a ganhar as eleições. Mas esta crise política artificial, pode sair muito cara ao país.

Nunca pensei que os países ocidentais viessem um dia a ser ajudados

pelo yuan, moeda de câmbio chinesa com a efígie do Mao Tzetung...



publicado por Evaristo Ferreira às 18:16 | link do post | comentar

Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

O Diário de Notícias (DN) continua a esmiuçar o "monstro" criado a partir do cavaquismo, e que foi mantido e alargado pelos governos que se lhe seguiram. Para criar mais controvérsia, o DN de hoje inclui uma pequena entrevista, feita a Miguel Cadilhe, antigo ministro das Finanças do governo de Cavaco Silva no período de Novembro de 1985 a Janeiro de 1990. Este "factor-mix" enriquece o "Verdadeiro Retrato do Estado" que está sendo publicado pelo DN, porque, assim,  confronta os autores do "monstro" com a situação a que o país chegou. É verdade que Cadilhe, como ministro das Finanças naquela época, foi beneficiado com os milhões que choviam diáriamente em Portugal, vindos de Bruxelas. Mas tambem é verdade que nem sempre esteve em sintonia com o então primeiro-ministro, Cavaco Silva. Cadilhe acabou por sair do governo devido a um problema relacionado com o pagamento do imposto de Sisa sobre um apartamento adquirido nas Amoreiras. Saiu por falta de apoio político, ressabiado com a falta de solidariedade do próprio Cavaco Silva. Desde então dedicou-se ao ensino e foi percorrendo as cadeiras do poder nos grandes bancos: BPA, BCP e por fim BPN. A sua "transferência" do BCP para o BPN valeu-lhe, na altura, um seguro de milhões... à boa maneira de um craque de futebol. Mas afinal, que diz Cadilhe ao DN?  Pouco, nada, tudo fora de contexto temporal. Falou como Medina Carreira, Catroga, Bagão Félix ou qualquer outro "papagaio" da nossa praça. "Talvez agora se compreenda por que estive contra a Expo'98", disse o professor Cadilhe. Eu não me lembro deste facto, mas sempre penso que a Expo'98 foi das coisas mais importantes que se fizeram para valorizar a capital do país e projectar Portugal pelo mundo fora. A gestora Parque Expo tinha muito terreno para venda, muitos projectos para vender, muitos meios para realizar fundos. A prova disso são as unidades hoteleiras, as unidades de restauração, de diversão, a estação ferroviária projectada pelo arquitecto Calatrava, os parques e jardins que compôem o Parque das Nações, o Oceanário, a Marina, etc. Não vejo razão para queixumes. Quanto ao resto, trata-se apenas de chorar sobre o leite derramado. Disso estamos nós fartos. Cadilhe refere-se a "serviços susceptíveis de pricing" e ao conceito de "utilizador-pagador", como sendo ideias da sua lavra. Responde com sabedoria professoral às perguntas do DN, mas isso peca por falar de coisas que estão fora do contexto da actual situação: agora não temos uma torneira a pingar milhões da CEE, esta passou a União política, monetária e económica; tem um Banco Central, um Tratado de Lisboa; caminhamos para uma política fiscal, financeira e de governação únicas. Cadilhe além de receber os "milhões" da CEE, ainda podia, em caso de descontrolo financeiro, desvalorizar o escudo, subir os juros. Tudo isso é passado. Analisar a situação do país agora, é preciso ter presente o actual contexto político.

A China apresentou ao secretário da Defesa dos EUA o protótipo

de bombardeiro furtivo (stealth) fabricado com tecnologia chinesa.

A potência asiática torna-se num gigante da aeronáutica militar.



publicado por Evaristo Ferreira às 18:13 | link do post | comentar

Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

O Governo dirigiu-se aos "mercados", afirmando que "as receitas subiram, a despesa baixou, as exportações aumentaram 15,7 por cento e o PIB nacional (que era suposto atingir 0,7 por cento), irá quedar-se acima dos 1,3 por cento". Mesmo assim, com estes dados, a campanha presidencial está a ficar ofuscada pelos ecos da desgraça, que vêm de fora para alimentar cá dentro os sequiosos de poder. A entrevista de Passos Coelho ao DN de ontem é reflexo desse fluxo de propaganda, destinado a preparar o caminho para a tomada do poder pelo PSD, logo após a reeleição do actual Presidente, como indicam as sondagens. Esta "corrente de propaganda" tem adeptos cá dentro e é alimentada pelos correligionários amigos da City londrina, dos banqueiros de Frankfurt, dos sarkosianos franceses, dos liberais e conservadores que governam a maioria dos 27 países da UE. Todos se preparam para dar uma ajuda a Passos Coelho e ao PSD. Não esqueçamos que o Delegado do FMI para a Europa é o social-democrata António Borges (ex-funcionário do Goldman Sachs, em Londres, donde foi despedido no ínicio da crise financeira). A estratégia está em marcha. O PSD está farto de esperar pela chegada ao poder. É certo que esta crise ainda vai perdorar, e, qualquer que seja o partido que esteja no Governo, nao vai ter a vida facilitada, durante mais dois ou tres anos... Por outro lado, é preciso não esquecer que o PSD aprovou o actual PEC III, pelo que será responsabilizado pela "dôr de parto" que casou ao povo português. Ora, para ultrapassar este obstáculo, o PSD vai aproveitar a "onda" dos "mercados", e, dizendo nada aos superiores interesses do país, apoia a vinda do FMI... Com a vinda do FMI, com a aplicação da receita do FMI, o PSD e o seu presidente, Passos Coelho, reclamam eleições antecipadas e culpam o Governo de José Sócrates por ter falhado (o quê? O PEC III? Mas o ano ainda agora começou? Parte das medidas só no fim deste mês terão efeitos!). A pressa de chegar ao poder, leva a que Passos Coelho  cometa uma asneira política, pois está a colocar os interesses partidários à frente dos interesses do país. A "salvação", dizem eles, é chamar o FMI, mas o BCE continua a comprar a nossa dívida, Sarkozy e Angela Merkel dizem não ter pressionado Portugal, e os juros da dívida baixaram hoje... Quarta-feira vamos tirar a prova dos nove, vamos ver até onde o "oráculo" de uns e a "ajuda" de outros se combinam. Portugal vai pedir aos "mercados" 1.250 milhões... Ninguém irá comprar? Os juros subirão para lá dos 7 por cento?. A ver vamos. Poderá acontecer que um só país compre a maior parte daquele montante, levando à queda dos juros. Será um balde de água fria para o PSD e para os amigos que tem na Europa e no FMI.

 



publicado por Evaristo Ferreira às 18:15 | link do post | comentar

Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

13.740 poderia ser o número da Taluda, mas não é, antes pelo contrário. O prémio da Taluda seria justo, já os 13.740 sorvedouros que chupam o erário público, é uma calamidade sem fim. O Diário de Notícias (DN) deu hoje início a um trabalho jornalístico destinado a "investigar temas que estejam para além das agendas oficiais e da espuma dos dias". Este trabalho do DN, que imprime um novo cunho ao "jornalismo de investigação, vem colocar este "jornal de referência" na vanguarda da imprensa nacional. É possivel que, com este trabalho, surjam oportunidades para se iniciar uma nova era nos meios de informação portuguesa. O nosso jornalismo bem precisa de uma asa que o eleve acima da "espuma dos dias". Pelos dados apresentados hoje, o DN inova, e presta um serviço muito útil aos seus leitores. Comparo esta iniciativa uma "pedrada no charco", muito ao jeito do que faz a Wikileaks.

Neste primeiro dia o DN deu-nos um relance sobre "O Verdadeiro Retrato do Estado"." Temos 13.740 organismos públicos, [dos quais] só 1.728 apresentam contas, [e] apenas 418 são fiscalizados". Da riqueza anual produzida pelo país, 49 por cento é gasta pelo Estado, que há tres décadas não pára de aumentar. "O prório Estado não conhece" a totalidade das entidades financiadas pelo Orçamento, o que representa cerca de 90 por cento da máquina estatal sem controlo. A despesa do Estado, ou seja, "o monstro" -- assim foi apelidado por Cavaco Silva --  não pára de aumentar. Os dinheiros públicos sumem-se através de "10.500 entidades da administração central, 1.500 empresas públicas, cerca de 350 institutos e 1.100 fundações e associações", que empregam 660.000 pessoas, e estas consomem 81 mil milhões de euros, o equivalente a 49 por cento da riqueza produzida pelo país... Sim, o Orçamento de Estado tranformou-se num "monstro" insaciável e pesadissimo.  A despesa pública aumenta a uma velocidade de 152.207 euros por minuto...

Recomendo vivamente a leitura do DN sobre este assunto. É preciso conhecer a verdade. É preciso estarmos conscientes de que precisamos mudar de vida. Por este andar, não vamos a lado nenhum, a não ser à falência do Estado e dos cidadãos.

Espero e desejo que a Direcção do DN faça uma compilação, em livro, deste exaustivo trabalho jornalístico.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:52 | link do post | comentar

Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Manuel Maria Carrilho foi ministro da Cultura no governo de Guterres. Depois entrou em colisão com o guterrismo, fazendo um ataque a Guterres no Congresso de 2001, donde saiu sem aplausos nem apoios esperados. Fez a travessia do deserto, até ser nomeado candidato à Câmara Municipal de Lisboa, arrecadando uma estrondosa derrota pessoal que o levou a afastar-se da política. Mais tarde é designado como embaixador na UNESCO, mas ao contrariar as directivas da nossa diplomacia, votando noutro candidato que não o indicado pelo governo, chegou ao fim da comissão e não foi reconduzido. Ficou surpreso, amuado e, vai daí, veio para os jornais dizer que tinha sido despedido do cargo via e-mail... Queria continuar, desobedecendo às ordens da diplomacia nacional. Agora anda por aí, fazendo o que sempre fez: dar aulas na Faculdade, escrevendo umas coisas aqui e ali, palrando na rádio e nas tevês. Sempre em desfavor do Governo, do PS e do país. É mais um "papagaio" a palrar sobre tudo e sobre nada. Hoje vem perorar no DN sobre "Malabarismos sem fim". É sabido que Carrilho é vaidoso, narcisista, avesso ao contraditório. Acha-se um mestre a palrar sobre este mundo, julga que é assertivo e tem ideias relevantes, mas não gosta de ser confrontado com pontos de vista alheios. Repare-se neste intróito: "não será com as pessoas, nem com as instituições, nem sobretudo com as ideias que nos conduziram à crise que conseguiremos sair dela".  Então se não é com as pessoas, com as ideias e com as instituições, com que será? Não compreendo a profundidade do pensamento de Carrilho. Quando ele fala de "financeirização da economia" está a falar de quê?  E quando fala de "uma guerra das moedas", a que se refere Carrilho, em concreto? E ao afirmar que o G20 "pouco mais promete do que um declamatório", que significa esta palração debitada pelo filósofo Carrilho?  Só ele sabe, ao afirmar que "os poderes públicos, em vez de reagirem, vão-se entregando a malabarismos sem fim".

Como sucede com a maioria dos "papagaios" da nossa praça, Carrilho aborda temas que não domina, usa uma linguagem inadequada para clarificar o mundo financeiro e especulador. Para alem disto, carrilho não apresenta uma só ideia inovadora, um só projecto, uma só alternativa para ajudar a ultrapassar esta crise. Para um "comentador-analista-fazedor-de-opinião", é pouco, sabe a nada. Dum filósofo esperava-se muito mais. Dum "papagaio" já nada se espera, para além da palração assimilada. De Carrilho resta-nos o seu oráculo final: Todos gostavamos de ver abrir-se um novo ciclo, neste começo do ano. Mas assim isto vai correr mal, muito mal. É com este realismo que Portugal deve decidir o que fazer. E de uma coisa estou certo: vai haver de facto muito para decidir em 2011".  Um prenúncio agoirento, este de Manuel Maria Carrilho, filósofo.

 

À beira do abismo... Mas a sorte protegeu este camionista, foi salvo e saiu

ileso. Aconteceu hoje, em Qinghai, noroeste da China, a 60 metros de altura.



publicado por Evaristo Ferreira às 18:09 | link do post | comentar

Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Os primeiros dias da campanha eleitoral  para a Presidência da República estão a ser marcadas pelo "buraco" do BPN. Tudo começou na última de uma série de entrevistas aos candidatos presidenciais, conduzida por Judite de Sousa na RTP1, onde estiveram Cavaco Silva e Manuel Alegre. Este candidato confrontou Cavaco Silva com a venda de acções da SLN, holding do BPN, operação que rendeu a Cavaco uma mais-valia de 140 por cento. O actual PR não gostou do arremesso e respondeu a Alegre com algum nervosismo e irritação, dizendo que "era preciso ele nascer duas vezes para ser tão honesto" como é Cavaco Silva. No calor da discussão Cavaco ainda avançou com explicações, tendo algumas delas resvalado para o lado da ligeireza, como foi o facto de comparar o "caso BPN" ao dos bancos ingleses, que faliram por arrastamento do subprime americano. Depois sugeriu que o insucesso do BPN, depois de ter sido nacionalizado, se deve à má gestão dos actuais administradores, atingindo, assim, a CGD e o seu presidente, Faria de Oliveira (cavaquista convicto) e António Bandeira, administrador do BPN designado pela CGD. Este, instado pelos meios de comunicação social, acabou por desvalorizar as palavras de Cavaco Silva, dizendo que o presidente falou sob o calor do ataque político... Passado o hiato do "Rubicão" 2010/2011, começou a campanha eleitoral e eis-nos novamente perante a "borbulha do BPN", badalada por todos os candidatos, e levando a campanha para um buraco sem saída. Com a discussão política centrada nas acções do BPN, os candidatos vão relegar para segundo plano as ideias, os projectos e as aspirações que têm para Portugal. Esta tarde, Miguel Relvas, assessor de Cavaco Silva, falou ao país a fim de aliviar a pressão, dizer o que já foi dito e redito, nada mais diantando. Apenas veio trazer mais achas para a fogueira. Trata-se de um problema político, incómodo para Cavaco, mas serve a causa dos outros candidatos. Entretanto, o país vai-se arrastando. Hoje colocaram-se no mercado da dívida soberana, mais 500 milhões a curto prazo, com procura superior a 2,6 vezes o montante, mas com os juros mais altos.

Entretanto, aqui ao lado, foram hoje firmados 16 acordos comerciais

no montante de 5.650 milhões de euros com a potência asiática...



publicado por Evaristo Ferreira às 18:17 | link do post | comentar

Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

As nossas élites pensantes andam deprimidas, parecem "zombies" de outro planeta, não têm alegria, alma nem força para viver. Porque será? Numa tertúlia de café, assisti hoje, por alguns momentos, à actuação parlatória feita por José Adelino Maltez e Maria Filomena Mónica na SIC-Notícias... Fiquei surpreendido com os seus paramentos, todos vestidos de preto, como se fossem a um  funeral. Está na moda, a moda que os "eunucos" da moda impingem ao rebanho que anda na "moda". "É o preto, man. O preto é uma côr forte, que realça a figura de quem veste preto", dizem os "eunucos" da moda. Alguns "eunucos" afirmam que, usar o preto no "pret-a-porter", facilita a vida dos designers da moda. "Tudo preto, e acabou-se o trabalho de ter que combinar côres, de harmonizar o conjunto corpo-padrão de tecidos". "Recomendamos as côres preto e cinzento porque dão um ar de distinção a quem veste escuro".... E o "rebanho" vai na conversa dos "eunucos". Eles ditam a moda, e a moda que está na berra é o preto. Só que esta gente não sabe que cada côr irradia diferente energia. As côres da natureza harmonizam o ser humano. Mas os "eunucos" da moda, vivem num mundo de fantasia, cheio de "modelos" travestidos, e acabam por perder o norte da realidade.

Ao ver o professor Maltez embrulhado na vestimenta negra, pensei ver um agente funerário, um padecido viúvo ou um xiita pronto a martirizar-se com o cilício... Ao ver Filomena Mónica, tapada de preto, pensei que estivesse de luto, voltasse a enviuvar ou fizesse parte de uma seita qualquer, daquelas que reunem debaixo de terra, rodeadas de caveiras, na penumbra da escuridão. O professor Maltez parlava desconexamente, ora com ronia, ora com acento de diktat... Maltez parla em muitos poleiros, na rádio, tevês e em jornais. Além disso debita ideias tortas na blogosfera sob o título "temposquepassam". Maltez vive uma crise existencial, nota-se, não apenas pelo cacarejar, mas sobretudo por semear um "futuro sombrio". Não admira, a vestir de preto, que veja o mundo a partir das sombras cavernosas.

Quanto a Filomena Mónica, que esqueceu a ironia e já não sabe o que é um sorriso, está uma "sombra" da Filomena Mónica da sua juventude. Nunca foi muito de sorrir, e a sua convivência com o chato Vasco P. Valente, durante os estudos em Oxford, ainda contribuiu mais para a tornar céptica. A velhice, em si, já é sinal de decrepitude, mas quando se envereda pelos "trapinhos pretos", a velhice, a secura e a falta de energia tornam-se mais salientes no rosto e na alma de quem assim se veste. Porque será que os sociólogos acabam por não entender a verdadeira natureza das coisas mais elementares deste mundo? Uma rosa tem formas, côres, aroma, serenidade, beleza... Uma beleza que não precisa de palrações, apenas contemplação... A beleza só é perceptivel através da comtemplação.

Em resumo: os "eunucos" da moda, mandam; o "rebanho" segue as suas ordens. Com tanto "negrume" em cima do corpo, não admira que haja tanta gente sem ânimo, sem esperança, sem vontade de fazer algo, por si e pelo seu país. Neste cenário, faz falta ouvir-se o De Profundis

A harmonia na Natureza provém da sua variedade policromática.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:46 | link do post | comentar

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