Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Não gosto de ouvir os políticos falarem do uso da "bomba atómica". Este termo foi usado em fins de 2004, pela primeira vez, depois de Jorge Sampaio ter dissolvido a AR e marcado novas eleições para 2005.  Àquela data era primeiro-ministro Santana Lopes, o "menino guerreiro", que havia sido entronizado no cargo pelo PSD, após a saída de Durão Barroso, escolhido para dirigir a Comissão Europeia. Agora, nestes dias de campanha eleitoral, à falta de outra ideia, um jornalista colocou uma pergunta ao candidato Cavaco Silva, para saber se tambem ele, após a re-eleição, usaria a "bomba atómica"... Só um espírito leviano e ôco poderia fazer uma pergunta destas a Cavaco Silva. O candidato limitou-se a responder alegando que "não sentia apetite para usar" a tal arma. Nesta aridez de ideias, valeu a sensatez do candidato. Mas, vai daí, os meios de comunicação social, em especial as televisões, serviram-nos, à hora do jantar, "bombas atómicas" de entrada, como prato principal, e ainda como sobremesa... Contra este ingente desconhecimento do variado, mas apropriado vocabulário português, devia espirrar Vasco Graça Moura, que tanto defendeu o statuo quo da língua portuguesa, votando contra o Novo Acordo Ortográfico. Mas isto é outra guerra, uma guerra sem bombas atómicas.

Cavaco Silva, depois de apelar à insurreição dos professores, dos pais e alunos contra o Governo; depois de ameaçar com uma "crise política"; depois de recusar responder aos ataques dos adversários; depois de apelar ao Governo para revelar as condições em que é feita a venda da nossa dívida soberana, veio ontem com novo registo, dando conta da situação em que o país mergulharia se, após a sua re-eleição, dissolvesse a actual AR. E explicou em pormenor o que poderia acontecer. Por isso ele reiterou a necessidade de acalmia política, e apelou a todos os portugueses para que ajudem o país a sair desta crise financeira e económica. Finalmente, a dois dias das eleições, o candidato Cavaco Silva voltou a ser o "garante" da pacificação política, da lealdade à AR, do bom-senso e da serenidade. Isto é o que se espera de um presidente de todos os portugueses.

Moinhos de vento na região de La Mancha, Espanha...



publicado por Evaristo Ferreira às 18:46 | link do post | comentar

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