Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Nesta Sexta-feira da Paixão, dia de dor, martírio, sofrimento e tristeza nos

pergaminhos da cultura cristã, permito-me transcrever aqui o artigo de opinião do sociólogo Elísio Estanque publicado hoje no DN. Em minha opinião, trata-se do quadro mais  fiel, mais assertivo e pungente sobre a crise que os portugueses estão a viver.

 «Portugal vive há um ano sob resgate financeiro da troika, subjugados a um conjunto de medidas de austeridade que nos coartam a esperança e o futuro. Os portugueses, desde as camadas mais pobres aos segmentos da classe média, debatem-se hoje com enormes dificuldades económicas, enquanto no plano subjectivo somos obrigados a tomar consciência -- da pior forma -- dos nossos limites enquanto povo e das asneiras de sucessivs Governos desde o 25 de Abril.

O Estado social está em risco, os direitos laborais estão a ser desmantelados, o emprego, as pensões de reformas e os apoios sociais na educação  e na saúde deixaram de estar garantidos.

Os nossos salários sofreram cortes até 30%, mais cortes nas deduções fiscais, o aumento de imposto, do preço dos combustíveis, da electricidade, das taxas moderadoras, etc.

Adeus férias no Algarve (ou no estrangeiro), adeus passeios de carro nos fins de semana, adeus idas ao cinema ou ao teatro uma vez por mês; saídas ao resaurante já nem nos aniversários nem nos dias festivos (Natal, Ano Novo e Páscoa); adeus pontes e alguns feriados; adeus trabalho digno, adeus direito ao lazer e à cultura. Pior ainda é que estes sacrifícios e o empobrecimento geral nada nos oferecem como recompensa. O sonho europeu ameaça desfazer-se no ar e a "modernidade" revelou-se afinal uma ficção. Os pobres continuam pobres e os remediados empobrecem.Ttemos melhor educação, mas não há emprego; temos boas autoestradas, mas não podemos pagar as portagens e o carro; vivemos mais tempo, mas com menos qualidade de vida; temos melhor sistema de saúde, mas não podemos pagá-lo; temos liberdade, mas a democracia está doente». (Os sublinhados são de minha autoria).

Nunca a diferença entre ricos e pobres foi tão acentuada como agora. Este Governo sem

sensibilidade social aposta no "empobrecimento" do país e dos portugueses para atingir

a "competitividade da economia" e rivalizar assim com Marrocos, Bangladesh ou a Roménia.



publicado por Evaristo Ferreira às 16:19 | link do post | comentar

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