Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

O Instituto de Gestão da Tesouraria do Crédito Público (IGCP) foi hoje ao

"mercado" vender títulos do Tesouro a 18 meses. A procura foi superior à oferta, e o juro a pagar é de 4,537%. Nada mau, dizem os analistas afectos ao Governo. Mas escondem a verdade dos factos. O IGCP sabia, por antecipação, que a operação de financiamento estava assegurada, não pelos "mercados", mas sim pela banca nacional, que continua a comportar-se como no tempo de Sócrates. Esta "gente honrada", na altura, disse que era péssimo para a economia nacional, a banca estar a financiar o Estado. E tinham razão, mas agora estão a utilizar o mesmo sistema e não se envergonham do disparate que estão a fazer. Estão a pedir o dinheiro aos bancos, e depois falta para financiar as as pequenas e médias empresas. É sempre o mesmo fado, e então agora, que o desemprego atingiu os 15%... e há empresas que estão a fechar a porta por falta de financiamento bancário. Mas os "fazedores de opinião" (os jornais e jornalistas, as rádios e televisões, mais os comentadores do costume), vêm bater palmas, afirmando que a operação foi um sucesso e que os "mercados" começam a acreditar em Portugal. Pura fantasia. Em piores condições está Espanha (sem ajuda da Troika) e conseguiu financiar-se, a juros muito mais baixos. Este processo está inquinado. O Governo resolve os problemas de tesouraria, e assim, deixa passar a ideia de que as coisas vão bem, mas isto não é verdade. Quem beneficia com este esquema, é a banca nacional, que se financiou no BCE a juros de 1%, e cobra ao Estado 4,375%... É um diferencial de juro muito elevado, e os bancos não correm risco, porque o Estado é um devedor honesto, paga sempre as suas dívidas. Mas, ao fim e ao cabo, a grande parte do problema, continua a ser a falta de dinheiro para financiar a economia, que este Governo e a banca nacional parece não estarem interessados em apoiar, pelo menos nos meses mais próximos. Alem disso, o Estado tem um banco (CGD) que deveria ter como função financiar a economia, mas dá preferência ao financiamento da família Mello, ao financiar-lhe a OPA lançada sobre a Brisa, um negócio inter-pares destinado a adquirir a totalidade do capital da empresa. E as pequenas e médias empresas continuam a fechar a porta, por falta de financiamento...



publicado por Evaristo Ferreira às 14:44 | link do post | comentar

2 comentários:
De Santos Costa a 4 de Abril de 2012 às 22:22
Evaristo

Plenamento de acordo com o teu post. A Banca e o Estado até podiam fundar um partido (mas lá estaria a sigla BE, já registada noutra patente), mas o melhor logotipo seria formado por B de Banca e as quatro primeiras letras de Estado.
Sobre os juros podes ter uma certeza: quem os vai pagar é a função pública, cuja vê alargar o período de ramadão para os dois meses extra que deviam ser intra considerados e integrados nos doze meses.
Não custa, porém, o alargamento do jejum, mas sim o gesto de malabarismo, que eu designo por dois vocábulos aqui associados: esbulho e mentira.
Passos Coelho acelera o passo para acompanhar Sócrates. Sinceramente já os desejo condiscípulos na Cidade Luz.
Abraço


De Evaristo Ferreira a 5 de Abril de 2012 às 19:34
Fernando,
Tens ideias brilhantes. Esta de quereres baptizar a CGD com o acrónimo de Besta, não lembraria ao prof . Marcelo, nem ao diabo. A banca não gosta da simbologia demoníaca, ou seja do 666 ou qualquer outro código cabalístico, especialidade em que o pivô Zé Rodrigues dos Santos é a maior sumidade neste país. Adiante. Não te esqueças que os reformados das empresas privadas foram metidos no mesmo saco. Eu sem os subsídios, para os quais descontei, vejo o meu nível de vida baixar acentuadamente. É isto que eles querem, "empobrecer" para o país ser competitivo, ao nível da China, Bangladesh ou Paquistão. Mas neste país nem todos estão a sofrer cortes nos rendimentos. Alguns até estão a ganhar, por "serviços prestados à Pátria", como é o caso do Eduardo Catroga, que negociou com a Troika em nome do PSD. Foi compensado com uma cadeira na EDP, que lhe rende 45.000 mensais. E tem uma reforma acumulada de 9.654,45 euros.... O país tem um PIB razoável, está é mal distribuido.
Um abraço.


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