Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Vasco Graça Moura é uma personalidade marcante da cultura portuguesa.

A sua obra literária ramifica-se na poesia, no ensaio, no romance, na crónica. Além de tudo isso, VGM é tradutor de Racine, Dante, Molière, Corneille e Shakespeare. Vasco Graça Moura é bom a fazer o que faz, desde que seja literatura. Nisso aprecio o cidadão que agora dirige o Centro Cultural de Belém. Quanto ao resto, à sua maneira de fazer política, penso que ele é execrável. Já o disse aqui muitas vezes. Ainda recentemente, quando escreveu um crónica sobre «este país da trampa», e onde apodava o povo português: «um povo calaceiro, subdio-dependente e com enorme falta de literacia». Vasco Graça Moura pensava que o povo português, por ser estúpido, tinha então «o que merecia», referindo-se à re-eleição de Sócrates em Setembro de 2009. Para o vate de outrora, a escolha ideal era a Velha Senhora (MFL), não o Sócrates. Adiante. A política, é uma «indústria» onde só medram os populistas, os demagogos, os tiranetes. Quando aparece um paisano, por mais honesto que seja, acaba sempre em desgraça. Se for desprezado pelos «interesses corporativos instalados, ou promove uma campanha sórdida contra aqueles, com vista a derrotá-los no terreno. ou acaba por ser ele a ficar em desvantagem. No caso de VGM, que já anda por aí há muitos anos, o melhor que ele faz é afastar-se da política rasteira e maquiavélica. O que ele faz bem, e consegue fazer com maestria, é a arte de bem escrever, e de traduzir o que para alguns é imperceptível. Por exemplo, VGM vem hoje a dissertar no DN sobre a Pietá da Primavera Árabe, uma foto do fotógrafo espanhol Manuel Aranda, vencedor do World Press Photo de 2012, que  é um retrato pungente da mãe (árabe) que segura nos braços o filho morto. Assim parece, não sabemos se é filho, neto ou parente. A nudez do corpo morto, exposto na rua árabe, pode ser uma blasfémia, mas na hora da Primavera Árabe,  deixa de o ser, passa a ser um quadro de dor e de morte, semelhante à Pietá de Miguel Angelo. Quanto ao texto de VGM, abstenho-me de o comentar, pois é sublime, e eu não consigo superar o mestre.

Foto de Manuel Aranda, vencedor do World Press Photo 2012, escalpelizada por VGM.



publicado por Evaristo Ferreira às 15:31 | link do post | comentar

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