Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Não faz sentido, não é útil nem proveitoso para o país que os partidos

do «arco do poder», mintam ao eleitorado para poderem «chegar ao pote» (assim falava Passos Coelho), e façam promessas que depois não são cumpridas. Pior ainda, quando se urdem campanhas ao estilo das «escutas a Belém», se opte por slogans destinados a atingir o carácter do adversário, ou como fez a Velha Senhora (MFL) nas eleições legislativas de 2009 ao inventar a «asfixia democrática», e que, a partir daquele desaire eleitoral, manteve uma campanha para chamar «mentiroso» a Sócrates, campanha esta propalada diáriamente aos quatro ventos pelas «secções laranja» nos meios de comunicação social, designadamente no DN, donde saltaram para o Governo de Passos, cinco elementos da redacção, que assim foram compensados pelo serviço prestado. Vem este intróito a propósito da informação hoje divulgada pelo INE, pela qual ficamos a saber que o PIB de 2011 terá ficado nos -1,5%, quando era esperado um resultado negativo maior. É sinal de que a nossa economia resistiu, até onde foi possivel. No terceiro trimestre, a economia afundou-se. Por efeitos da austeridade e pela quebra forte nas exportações, que vinham subindo desde o ano de 2007, graças ao programa desenvolvido por Sócrates, que firmou uma «parceria previligiada» com Pequim, levou os empresários a Luanda, a Moçambique, a Tunísia, Argélia, Líbia, Brasil, Venezuela, etc. A queda brusca nas exportações terá a ver não só com a austeridade, mas tambem e sobretudo com a desarticulação do AICEP. O Governo de Passos descurou o alfôbre que tinha sido semeado. Houve um recuo nas exportações.

A política de crispação é prejudicial, porque se baseia em «esconder» o que

foi feito, e afronta os portugueses em vez de os unir. Ainda ontem foi publicada a notícia onde era referido que a factura energética de Portugal, desceu cerca de 11%, graças às energias renováveis. Importámos menos petróleo, é o que quer dizer. Curiosamente, os adversários do Simplex e das Energias Renováveis, escondem estes dados. A notícia sobre o desempenho da economia, foi relatada hoje no Jornal de Comércio, edição online, mas já foi retirada. Com que intuitos, não se sabe. Certamente para «esconder» a verdade. Os «papagaios» do costume, tambem esqueceram que José Sócrates, de 2005 a 2007, conseguiu baixar o défice das contas públicas de  6,83% para  2,75%, herdado do consulado  Barroso/Portas -- quando compraram 2 submarinos, 6 caças F-16 (que tiveram de receber um upgrade electrónico) e 650 carros de combate Pandur. Em 2007 a economia crescia 2,75%, as exportações ajudavam, havia investimento público. Mas em Julho de 2007, do outro lado do Atlântico, o capitalismo de casino tinha gerado um vírus financeiro. A epidemia seria decretada em Setembro de 2008, com a falência do Lehman Broters, e chegou á Europa. A fuga de capitais acelerou-se. Milhares de milhões fugiram via electrónica, deixando um rasto de desolação. O nosso «mercado de capitais», o PSI20, foi arrasado. Por exemplo, uma acção do BCP valia uns 3,60 euros,e no final de 2011 só já valia 10 cêntimos; o BES cotava a 12,50, e valia apenas 1,30 em dezembro de 2011. A PT chegou aos 10,50 euros por acção, mas valia apenas 3,87 euros há um mês atrás. Voaram centenas de milhões de euros. Ainda agora foi reportado que, em 2011, sumiram-se mais 18.000 milhões de euros, talvez a caminho de algumas offshores. Perante este desmando, é fácil acusar, mas é dificil arranjar solução. Em Março de 2011, a Santa Aliança derrubou o Governo minoritário de Sócrates. Agora estamos melhor... «Rejeitar o PEC-4 é o príncipio da saída da crise», decretou o Bloco de Esquerda. Agora estão melhor, reduzidos a metade dos deputados.



publicado por Evaristo Ferreira às 16:14 | link do post | comentar

2 comentários:
De Santos Costa a 14 de Fevereiro de 2012 às 18:56
"tambem esqueceram que Sócrates, de 2005 a 2007, baixou o défice das contas públicas de -6,83% para 2,75%. "
Sobre esta afirmação para os mais esquecidos, encontrei um comentador nó Jumento com a mesma retórica do défice, diferendo na percentagem mais baixa - em vez de 2,75% dizia 2,8%.
A resposta dada por mim ao comentador, segue:
"(...)sem justificar as medidas draconianas do actual Governo, dir-lhe-ei que os 2.8 % a que alude não deviam corresponder às palavras do líder que aponta, pois ele, num colóquio, em Paris, em janeiro de 2010 e sob o tema "Novo Mundo, Novo Capitalismo", no qual falou a convite do Governo francês, defendeu abertamente o aumento dos défices públicos, o que, segundo disse então, "permitiu salvar o mundo de uma catástrofe económica".
José Sócrates, que discursava perante o Presidente francês Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro francês François Fillon, diversos ministros, embaixadores, professores, economistas e altos funcionários, elogiou o endividamento dos Estados para financiar a banca e a economia. "A dívida evitou a crise", disse. Repetiu isto, mutatis mutandis, há bem pouco tempo, na sua universitária jornada parisiense.
Para não ser fastidioso, no OE de 2010 o mesmo primeiro-ministro considerou que o aumento do défice para 9,3 por
cento não resultou de "descontrolo" mas sim de uma decisão do Governo que estva
em linha com as principais economias mundiais. O seu ícone, proferiu então na Conferência de Estado 2010, organizada pelo Diário Económico e a OTOC: "Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a
economia, as empresas e as famílias".
De qualquer forma, espere sentado para que se cumpra em Sócrates o prognóstico de Fidel Castro - "a História me absolverá"."
Sócrates, o Grande, com toda a perfeição de governação conduziu-nos por este caleiro de enxurrada para um governo que se lhe seguiu, cuja actuação merece, da minha parte, sérias reservas. Um fez o mal, este agora faz a caramunha.


De Evaristo Ferreira a 15 de Fevereiro de 2012 às 13:04
É verdade, em 2010 a UE e os States , através dos bancos centrais, insuflaram biliões na banca para salvar esta, e animar a economia. Na altura, fizeram um remake das políticas keynesianas . Não vou aqui falar da escola do liberalismo de Adam Smith , de Hayek e a sua teoria da moeda e das flutuações económicas ou das «vantagens competitivas» de David Ricardo. Muito menos do neoliberalismo da «escola de Chicago», fonte de inspiração de alguns membros do nosso Governo actual. «A dívida é para ser paga» -- disse o Sócas , e bem. Em tempo de crise cabe ao Estado investir. A América é o país mais endividado do mundo, desde sempre. O Japão tem uma dívida de 214% do PIB. Os primeiros países a violar o PEC , foram a Alemanha e a França. Em 2010 a ordem era «injectar dinheiro para salvar a economia». Com o colapso da banca irlandesa, inglesa, e alguns bancos belgas, holandeses, franceses e alemães, a UE (senhora Merkel ) fez travão a fundo, optando por se preocupar com as dívidas públicas da Grécia, da Irlanda e depois de Portugal... Ano e meio depois, a senhora Merkel vem agora dizer que é preciso tratar do crescimento económico e do emprego. Na verdade, sem crescimento económico não é possível ter uma dívida elevada, pagar os juros adjacentes e as prestações da mesma. Sem banco emissor de moeda, e a possibilidade de alterar os juros ou de desvalorizar o câmbio da moeda (desvalorizando os salários), a Portugal (à Europa), só resta a procura de um novo paradigma industrial de desenvolvimento. Sem indústria, não é possível criar riqueza, já o afirmava Adam Smith . Esta carência é europeia e norte-americana. Deixarem transferir a indústria para a China e Índia. Portugal tinha a Quimonda , onde trabalhavam 1.500 engenheiros. No início da crise fecharam a porta. Nem a Siemens , que era a incumbente, nem Merkel foram capazes de salvar a única fábrica europeia de semi-condutores . A Siemens acabou por vender à China... No início da crise, fechou grande parte da indústria que tínhamos : a Delphi , a Renaut Setubal , já tinha fechado a Opel/Azambuja, e algumas outros que me escapam. Tudo fugiu, para Marrocos, Rep . Checa, Roménia ou China e Índia. O capital estrangeiro (ou nacional) não tem pátria. Mas esta «gente honrada» promete salvar o futuro do país. Estou para ver. A competitividade, as reformas estruturais, o livre despedimento, tudo isso é uma panaceia que não resulta -- porque nós não temos indústria. É preciso inovar, pensar naquilo que temos e poderemos mercantilizar.
Um abraço.


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