Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

O dia de ontem foi solarengo para o primeiro-ministro Passos Coelho.

Na verdade, o chefe do Governo recebeu ontem algumas mensagens encorajadores vindas da UE. Olli Rehn veio dizer que Portugal não precisa de novo resgate; a representante da UE para a Economia disse que Portugal vai cumprir os acordos do memorando da Troika; o jornal Wall Street Journal tambem deu eco destes factos; o banco Goldman Sachs tambem se mostrou convicto de que Portugal vai ultrapassar esta crise sem necessidade de novo resgate. Estas notícias alegraram o primeiro-ministro, e a prová-lo está a dissertação que fez ao fim do dia numa instituição de ensino. Passos Coelho fez um discurso de improviso, vivo e animador, destinado a mostrar que «Portugal está no bom caminho». Neste frio inverno, Passos Coelho teve ontem o seu dia ensolarado. Falta saber qual vai ser o nosso destino, caso a Grécia entre em bancarrôta.

Hoje foi um dia cinzento, tempestuoso e aziago para o ministro Álvaro

[Santos Pereira]. Há muito tempo que o ministro da Economia anda a pisar areias movediças. Depois de prometer o «maior investimento de sempre», depois de aconselhar os artesãos a colar a marca Made in Portugal nos bonecos de barro; depois de ter desafiado os nossos pasteleiros a promoverem a exportação dos pasteis de nata, e os nossos cozinheiros a franchizarem o frango de churrasco, é natural que o ministro Álvaro se sinta bastante irritado com a falta de iniciativa por parte dos nossos empresários. Sem obra feita, nem projectos concretizados, o ministro está a ser confrontado com as suas nulidades. O ministro Álvaro está frágil, tenso e propenso à irritação. Foi o que aconteceu hoje numa reuião com os deputados da Comissão Parlamentar de Economia, onde foi confrontado com o facto da japonesa Nissan, ter desistido de construir em Portugal uma fábrica de baterias para carros eléctricos. O descarrilamento do ministro Álvaro aconteceu, quando foi interpelado por Agostinho Lopes, deputado do PCP, que criticou a falta de acção do ministro. Vai daí, o ministro Álvaro irritou-se, barafustou contra o deputado, que acusou de o perseguir, «como se estivessemos nos tempos da União Soviética». O ministro Álvaro referiu que Agostinho Lopes o tratava como emigrante, à laia de quem regressou agora do Canadá. Isto foi quanto bastou para o ministro Álvaro perder as estribeiras e atacar o deputado de fazer política xenófoba. Esta terça-feira foi um dia negro, enevoado para o ministro Álvaro. Não há dúvida de que o ministro da Economia começa a ser o elo mais fraco do Governo passista. Daqui para diante, o ministro Álvaro é capaz de se destrambelhar nas discussões parlamentares. A menos que comece a mostrar obra.

Neve sobre Florença. Todos os países europeus estão a tiritar de frio.



publicado por Evaristo Ferreira às 16:13 | link do post | comentar

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