Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Por entre a fauna de comentadores políticos-avençados-e-deprimidos que

frequentam os poleiros da comunicação social, destaca-se o «socialista» Manuel Maria Carrilho. Em 2001 foi vaiado no Congresso do PS realizado no Parque das Nações, onde bulsou forte e feio contra Guterres. Em 2007, foi candidato à Câmara de Lisboa, com o apoio de todo o partido, mas acabou por perder as eleições de forma estrondosa. Em 2009, não viu renovado o cargo que desempenhava na UNESCO, ao que se diz por não ter acatado as instruções do responsável pela diplomacia portuguesa; votou contra um «fascínora com largo cadastro [...] que ameaçava queimar todos os livros da cultura judaica». Vaidoso, narcisista e rancoroso, Carrilho vai fazendo a caminhada que o levará aos braços da direita. Que pretenderá fazer o filósofo «gelatina», com a campanha de ódio viperino contra Sócrates, o qual, «por ignorância e sobranceria, só convive bem com um deserto de ideias à sua volta»? -- aduz Carrilho. Na sua crónica de hoje, no Diário de Notícias, o filósofo da «gelatina» destila veneno contra Sócrates: «Vivendo sempre perto do mundo dos negócios e dos futebóis, e desprezando acintosamente o conhecimento, a cultura ou a educação, com o mais perigoso dos desdéns, que é o que se alimenta do ressentimento e da inveja» -- diz Carrilho de Sócrates. Mas não será esse, o problema existencial da vida de Carrilho? O que ele vê em Sócrates, é o espelho das sua ideias, é a natureza do seu carácter, são os tormentos que consomem Carrilho... O filósofo da «gelatina» horroriza-se com a ideia das «novas tecnologias», com as «energias renováveis», com os níveis alcançados por Sócrates na Educação, na luta contra a pobreza, na assistência médica e medicamentosa, etc. Mais adiante o filósofo da «gelatina» arrepende-se do veneno destilado, e acaba por reconhecer que «Em seis anos de governação nem tudo foi mau, e seria injusto esquece-lo. Mas sejamos claros: foram anos sem alma, numa constante deriva de valores e de convicções». Carrilho continua a viver nas núvens. Mas, por este andar, qualquer dia ainda vamos ve-lo a dissertar sobre a crise mundial do subprime, a falência do Lehman Brothers, a falência da Islândia, da crise na União Europeia, da recessão mundial. O culpado desta deriva no pensamento filosófico de Carrilho deve-se a um tal Daniel, do Expresso, que foi a Paris farejar o rasto de Sócrates, e veio afirmar que ele estava a estudar Relações Internacionais e não Filosofia, como alguém havia dito. Carrilho terá ficado mais sossegado. Sim, por que filósofo, em Portugal, só há um: o Manel Maria e mais nenhum, o pensador que desenvolveu a tese do «político gelatina». Fora Carrilho, fica o José Gil, que tem «Medo de Existir» [em Portugal de 2004]. Ora este pensador nada tem a ver com Carrilho. O Manel Maria é político de «gelatina», mole e narcisista; o Zé Gil, fala de medo [é medricas], veste de preto e vê tudo negro, não como bréu, mas como se estivesse numa caverna. Carrilho pode ufanar-se de ser o autor da «gelatina política», que tremelica ao sabor do movimento. Por outro lado, Sócrates filósofo, só houve um -- o da Antiguidade e mais nenhum.

O filósofo Carrilho acusa Sócrates de estar «perto do mundo dos negócios e futebóis»,

mas é o filósofo Manuel Maria Carrilho que aparece aqui, num campo de futebol. Cego e

rancoroso, diz que Sócrates despreza a Cultura e a Educação... Que torpe e cego é este

filósofo, narcisista vaidoso, de carácter enviesado, e à espera de chegar ao «pote».



publicado por Evaristo Ferreira às 15:52 | link do post | comentar

2 comentários:
De Francisco Clamote a 27 de Janeiro de 2012 às 00:21
Brilhante, meu caro. É um gosto lê-lo. Abraço.


De Lopes Vitor a 27 de Janeiro de 2012 às 14:11
Gostei desta elaborada e oportuna dissertação, sobre um peródo negro da nossa história interpretado pela marioneta Sócrates. Este indivíduo representa a paródia política dos últimos dez anos tão bem observada nesta crónica. Não é muito fácil acedermos a uma conteudística como a da peça, nos dias de hoje, feitos apenas de uma cultura de êxtase. Disse o Prof. Carrilho: [...] e os portugueses escolheram o que pensaram ser o melhor.[...]. Não!...os otários dos portugueses fabricados por esta cultura áudio-visual, foram manipulados e não deram (não dão) por isso, na gula dos aldrabões desta política de espectáculo e de "chicane" constante.


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