Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Se o país se encontra numa «emergência grave», como disse Passos Coelho,

era de esperar que as medidas de austeridade, impostas pelo Governo, fossem partilhadas equitativamente por todos os portugueses. Mas Passos Coelho não pensa assim. Ele apenas quer que sejam os funcionários públicos e os reformados a pagar as medidas de austeridade. Além deste disparate, Passos Coelho, para além de poupar os trabalhadores por conta de outrem, criou uma série de «ilhas» onde vivem portugueses a quem a «lei do Orçamento não se lhe aplica». É o caso do Banco de Portugal e da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), ou seja, o Olimpo dos que mais ganham em Portugal. Da parte da CMVM, o seu presidente, Carlos Tavares, já tomou medidas para cortar os dois subsídios ao pessoal. No caso do Banco de Portugal, o que sabemos é que o seu Governador, Carlos Costa, depois daquilo que se passou em Guimarães com Cavaco Silva, foi esta segunda-feira a Belém, mas não sabemos se Carlos Costa -- que por moto proprio prescindiu dos seus dois subsídios -- vai ou não «cortar» os subsídios aos funcionários do BdP, bem como aos seus pensionistas, onde está incluido Anibal Cavaco Silva, Presidente da República. Ainda não sabemos se Cavaco Silva terá ou não rogado a Carlos Costa para que este não lhe corte os subsídios de Férias e de Natal... Já todos sabemos que Cavaco Silva ganha pouco, não consegue sequer pagar as suas despesas, mas tambem sabemos que ele tem carro à disposição, telefone, água, luz, médico permanente, jornais à borla, alojamentos e refeições pagos em comissão de serviço, etc. Do que terá tratado Carlos Costa (enquanto pagador das pensões a Cavaco Silva), com o actual Presidente da República? Será que convenceu Cavaco a dar o exemplo, dispensando o seu subsídio de Férias e de Natal, tal como os funcionários da CMVM e da CGD? Não sabemos.

 

Um dos argumentos publicitados pelos «comentadores afectos ao BdP» tem

a ver com o facto de o Banco ter saído da «esfera da administração pública» e ter agora o «estatuto de banco central do eurosistema». Este eufemismo não pode colocar a entidade bancária acima da lei: o Governo legislou, exigindo sacrifícios aos portugueses, com o corte nos ordenados e pensões, com o corte de subsídios de Férias e de Natal. Trata-se de «salvar o país de «emergência» financeira, como bem lembrou o primeiro-ministro. O Governo legislou para sacar o nosso dinheiro e poder salvar o país desta «emergência». Sendo assim, ninguem deve ficar de fora. Todos têm que ser chamados a pagar as medidas de austeridade. Não importa se o BdP tem um estatuto de previlégio. Nesta emergência, os previlégios ficam à porta de casa. Todos os verdadeiros portugueses, a trabalhar em Portugal, devem ser chamados a contribuir, equitativamente, para ajudar o país. Os bancários do Banco de Portugal são portugueses, pagam o imposto de rendimentos, e devem pagar tambem a contribuição extraordinária que é pedida a todos os portugueses. Não podem ser apenas os funcionários públicos e os reformados (do Estado e dos privados) a pagar a crise. Nesta «emergência», Passos Coelho não andou bem: separou os portugueses, castigando uns e deixando incólumes outros. Roubou a uns e esqueceu os outros. Mostrou um enorme desprezo pelos funcionários públicos e pelos reformados deste país. O Orçamento de Estado para 2012, não deveria ter sido aprovado, por penalizar apenas alguns e esquecer os outros. Devia ser chumbado pela falta de equidade na repartição dos sacrifícios. Cavaco Silva andou mal, quando lavou daí as suas mãos, como fez Pilatos. 

«A vida portuguesa é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa,

mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a

encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas, limpas».

«País de abjecta subsidio-dependência e de calaceiros profissionais».

Palavras de Vasco Graça Moura, após a derrota de Manuela Ferreira

Leite, em 27 de Setembro de 2009. -- Este subsídio-dependente,

calaceiro profissional, foi premiado pelo secretário Zé Viegas com um

«tacho» no Centro Cultural de Belém... Seu grande calaceiro, hein!



publicado por Evaristo Ferreira às 14:42 | link do post | comentar

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