Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

O ano passado, por esta altura, andava Passos Coelho a acusar Sócrates

de «mentiroso», e de ser o culpado pela crise económica deste país. Sócrates era o culpado pela subida dos juros, pela baixa do rating aplicado à República pelas agências Moody's, Standard & Poor's e Fitch. Sócrates era o culpado de tudo: pela subida do desemprego, pelo fraco crescimento económico. pela subida dos combustíveis, pela desconfiança dos «mercados», etc. Enquanto a Europa definhava (excepto a Alemanha), e os «mercados» atacavam a Grécia, a Irlanda e logo a seguir a Bélgica, a Itália, a Espanha e a França, Passos Coelho e a sua «turma de neoliberais», afirmavam ter solução para todas as «doenças» deste país. Era tudo uma questão de pessoas e de saber aplicar as «melhores práticas na governação do país». Para Passos Coelho e os seus neófitos, que se intitulavam de «gente honrada, cumpridora da palavra dada», era fácil sair da crise em que Portugal viva (e continua a viver, de forma agravada). Bastava «cortar nas gorduras do Estado, nos consumos intermédios» e tornar o país mais competitivo, reduzindo a TSU e liberalizar os despedimentos. «Seremos rigorosos e transparentes nas contas públicas», prometia Passos Coelho, por entre muitas outras «promessas», até agora não cumpridas e sobre as quais só há a dizer uma coisa: Passos Coelho é um «mentiroso» inconsciente, compulsivo e contumaz. Agora que ele e a sua gente chegaram ao «pote», já se esqueceram do que prometeram. Eles têm demonstrado ser ineficazes na governação, trapalhões no cálculo das «despesas estimadas»,  trapalhões na aritmética dos números ímpares, trapalhões nos objectivos conjecturais do Orçamento de Estado para 2012... Ainda este não tinha sido promulgado, já o ministro Vitor Gaspar avançava para um Rectificativo daquele; sem que este estivesse delineado ou concluido, já Passos Coelho fala na necessidade de «pensar» num  Rectificativo/II dos anteriores, devido ao aprofundamento da recessão, à appavorante subida do desemprego, ao abrandamento das exportações e à possivel descida na cobrança de impostos... Sete meses de governação neoliberal, este país está de pantanas, com o desemprego perto dos 14%, uma recessão prevista de mais de 3,1% e um baixíssimo consumo das famílias portuguesas. Esta «gente séria, competente e rigorosa», conduziu o país para o precipício, na esperança vã de ressuscitar os métodos ortodoxos do neoliberalismo engendrado na «escola de Chicago». Agora, mais do nunca, resta-nos a União Europeia (família nossa) para nos ajudar a salvar Portugal da bancarrota. Esta gente só tem feito «trapalhadas», não mostra transparência na gestão da coisa pública, nem o apregoado «rigôr» no cálculo das contas... e ainda nos faz andar de Rectificativo em Rectificativo.

O ministro das Finanças, Vitor Gaspar, tem enfrentado, com incrivel serenidade, todas as

contrariedades que se colocam a um empresário em estado de pré-falência. Todos os demais

ministros deste Governo se vão escapulindo à opinião pública para evitar serem escrutinados.

Mas é evidente, nesta imagem, a desilusão e o fracasso que transmite o rosto de Vitor Gaspar.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:43 | link do post | comentar

1 comentário:
De Francisco Clamote a 11 de Janeiro de 2012 às 19:50
Excelente comentário, como sempre. Abraço, amigo.


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