Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Numa altura em que são pedidos enormes sacrifícios e privações a todos

os portugueses, verificamos que nem todos estão a ajudar o país a sair desta crise. Refiro-me àqueles que mais têm, e que não estão a ajudar, mas a fugir às suas responsabilidades morais e patrióticas. Um dos mais famosos capitalistas nacionais, é Elísio Alexandre Soares dos Santos, o administrador da Jerónimo Martins SGPS, uma holding que controlo a cadeia de supermercados Pingo Doce e a Biedronka, uma das maiores redes de distribuição na Polónia. Este senhor Elísio, que durante a última campanha eleitoral se mostrou um ardente patriota ao defender uma nova «esperança para Portugal», veio agora mostrar que, afinal, é um traidor à Pátria: vendeu 56% das acções a uma subsidiária na Holanda, para, assim, não ter que pagar 25% de IRC sobre os dividindos do exercício do ano findo. Para quem se mostrou ser um «português patriota», «gente honrada e cumpridora da sua palavra», este gesto borra toda a fotografia, de Elísio Alexandre Soares dos Santos, do Pingo Doce, e da Fundação Francisco Manuel dos Santos, criada em 2009 para, entre outras coisas, «pensar o país, e contribuir para a identificação e resolução dos problemas nacionais»... Esta Fundação é, actualmente, dirigida pelo «assarapantado» sociólogo António Barreto, outro «grande patriota», que assim vive à custa desta chafarica do Pingo Doce. Com Alexandre Soares dos Santos está o Zé Manel Fernandes (inventor das escutas a Belém), o Profeta da Desgraça, tambem conhecido por Medina Carreira, e outros confederados afins. «Tudo pela Nação, nada contra a Nação», diriam eles na época do Botas de Santa Comba Dão. Agora têm como lema: «Faz o que eu digo, não faças o que eu faço». Apesar de Alexandre Soares dos Santos ser considerado, pela revista americana FORBES, o segundo mais rico de Portugal, com 2,300 mil milhões de euros, o «patrão» do Pingo Doce -- que paga ordenados de 485,00 euros -- recusa-se a contribuir para o Orçamento do Estado, com os seus impostos -- já não digo com uma quota-parte, como sugeria o norte-americano Warren Buffet: «por favor, deixem de apaparicar os ricos, e criem um imposto para ajudar a América!». Esta «fuga» aos impostos, montada no dia 2 de Janeiro de 2012, mostra por que razão este país está como está: até os «grandes empresários» procuram fugir aos impostos, procedendo como simples negociantes, que vivem da «economia subterrânea», informal e criminosa. O povo português -- os velhos reformados, os jovéns desempregados e os funcionários de Estado, mais os pequenos comerciantes e os insdustriais de pequena dimensão -- são sempre os mesmos que acabam por pagar os desvarios das crises financeiras do mundo capitalista.  

Esta «gente honrada», filiada no Opus Dei ou qualquer outra seita redentora,

diz-se patriótica, confessa o seus pecados e defende a moral cristã, mas quando

chega a hora de provarem a sua honestidade, fazem a mala e vão-se embora...

 



publicado por Evaristo Ferreira às 15:00 | link do post | comentar

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