Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Faltam poucos dias para chegarmos ao fim de 2011. Da parte do Governo,

assistimos a uma grande euforia para celebrar o Reveillon que se aproxima. E, pelos dados que nos vão chegando, este Governo de liberais tecnocratas parece ter razões para festejar. Na verdade as metas alcançadas, no que respeita ao défice das contas públicas, apresenta valores que até agora pareciam ser impossíveis de atingir. Não podemos esquecer que Passos Coelho, ao formar Governo, prometeu ir "para alem da Troika". Na altura não era visível o que Passos queria dizer com este desafio. Pensava eu que se tratava de «cortar» a torto e a direito, na despesa do Estado, mas não. O «cavalo de batalha» de Passos Coelho era outro. Era colocar já, este ano, o défice das contas públicas abaixo dos 5,9% imposto no Memorando de Entendimento. Esse objectivo, a ser alcançado, vai dar uma enorme vantagem à governação de Passos Coelho. Mas como poderia o Governo atingir esse alvo? Começaram por falar num «desvio colossal», depois veio o «buraco da Madeira», a economia aprofundava a sua recessão, e os portugueses ficaram atónitos com o aumento de impostos, com o corte de subsídios de Natal e de Férias, com o aumento do número de desempregados (13,9%), etc. Falou-se ainda do «buraco do BPN», que, para ser privatizado, exigia um reforço de capitais no montante de mais de 530 milhões de euros... Assistimos à guerra das «almofadas» e das «folgas» orçamentais.  Neste cenário, «ir para além da Troika», não fazia sentido... Mas eis que, depois de aprovado o OE para 2012, o Governo vem dizer que a transferência do Fundo de Pensões da banca (expediente usado para redução do défice), mas autorizado pela UE, pela última vez, teria um valor de 6.000 milhões de euros... Este valor dava para «folgas e almofadas», e dispensava o corte de um dos subsídios de 20112/2013. Com esta «arca do tesouro», cedida pelos bancários, Passos Coelho chega à «meta», ultrapassando a Troika. O défice no final deste ano, não vai ser de 5,9%, mas sim de 4,5%... Este facto poderá ter um impacto muito grande junto dos «mercados» e da Troika, pelo que já não me admira que, no final de 2012, a crise do défice, vá acabar... A ser assim, 2013 pode ser o ano da recuperação económica (mas a que preço!), propalada pelos ministros Vitor Gaspar e pelo Álvaro.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:51 | link do post | comentar

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