Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Na passada quarta-feira foi revelado um vídeo onde aparece José Sócrates

na universidade francesa de Poitier a falar para um grupo de alunos ibero-americanos. A «notícia» já estava requentada, já não era novidade, pois tivera lugar há cinco dias. Mal se conheceu a «notícia», os comentadores e analistas de direita tudo fizeram para lhe dar relevo. Até o esgueirado Paulo Portas, ministro do Foreign Office português, situado no Palácio das Necessidades, pediu um «visionamento total do vídeo» para poder atacar Sócrates. Todo o «galinheiro» da direita ficou em alvoroço, e aproveitou para demonizar o ex-primeiro-ministro, que em Poitier avisava os alunos: «as dívidas do Estado, são eternas». Sócrates tambem disse que no caso de Portugal e Espanha, pagar a dívida [toda] seria uma ideia de criança. «As dívidas gerem-se», acrescentou Sócrates. Na verdade, os EUA sempre viveram endividados, para construir caminhos-de-ferro, auto-estradas, portos, aeroportos, investimentos na mineração e na indústria de material de guerra. O Japão, que é o melhor «Estado Social» do mundo, tem uma dívida de 214% do PIB. Sempre foi assim: os detentores de capital ganham, emprestando, e os países devedores tambem ganham, porque assim, desenvolvem um país, modernizam as suas estruturas, e geram activos e postos de trabalho. Mas a «direita ressabiada», quando se fala de Sócrates, não quer ouvir falar de dívida pública, porque, nas actuais circunstâncias, toda a Europa (e não só), está endividada. Sempre houve dívida, e os primeiros países a quebrar as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento -- que impõe um limite de 60% para a dívida e 3% para o défice, foram justamente a Alemanha e a França... Agora todos andam incomodados com a dívida e os défices, mas em 2008, quando o «sistema» (capitalismo) esteve à beira da falência, a Reserva Federal americana e a União Europeia, preocupados com a falência do sistema bancário e a recessão económica, mandaram injectar dinheiro nos bancos para «reanimar a economia». Pouco mais de um ano depois, fizeram «marcha atrás» e fixaram-se na dívida e no défice... Onde estamos ainda, com as economias ocidentais em recessão. Porquê esta reviravolta? Para esquecermos a «causa, a origem do ovo da serpente»? Foi para esquecermos os responsáveis do subprime, que «afundaram ou o capitalismo e a economia mundial»? Assim parece ser. Quanto às «virgens» que comentam o vídeo de Sócrates, só mostra uma coisa: a direita já reconhece que a situação não tem origem em Portugal, vem de fora, e o país foi arrastado no turbilhão. A direita neoliberal começa a sentir-se impotente para resolver a crise em que o país se encontra. Tem necessidade de «ressucitar» a campanha de mentiras e de ódio contra Sócrates», com que chegaram ao poder (e ao pote»).

 



publicado por Evaristo Ferreira às 16:15 | link do post | comentar

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