Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

O actual líder do PS, António José Seguro, prometeu fazer uma oposição

de "cortesia e elegância" ao Governo de Passos Coelho. Ora, em política, esta linguagem não tem cabimento. Em política é preciso ter convicções fortes, e lutar firmemente por elas. A linguagem de salamaleques não tem cabimento. Ou se é a favor, ou se é contra; ou se concorda, ou se discorda. Em política não há meias palavras; o que é, é. Simplesmente. Se um político pensa que tem uma ideia melhor, deve colocá-la à discussão e demonstrar que ela é exequível. Em política -- como em tudo na vida -- é preciso lutar pelas convicções, pelos ideais, pela aplicação de «melhores políticas». Quando essa luta é feita de modo brando, o adversário passa-nos a perna. Pior ainda, quando o adversário tem a «faca e o queijo na mão». Este, é o caso de Passos Coelho, que tem uma maioria na AR, e pode dispensar os salamaleques de A.J. Seguro. Seguro procurou tirar dividendos, reclamando a aplicação no corte de um só subsídio aos funcionários do Estado e aos pensionistas. Passos Coelho cedeu, sim, mas foi ao Presidente Cavaco Silva. Na aprovação final do OE2012, que decorreu hoje na AR, Passos Coelho travou todas as hipóteses de alteração ao corte da despesa, apresentando alterações que até agora não haviam sido consideradas. Seguro ficou fora da jogada, e não pode protestar, porque Passos Coelho acedeu ao pedido de Cavaco Silva, «suavizando» o corte nos subsídios, por aumento das taxas liberatórias.

 

O nosso Fado foi considerado Património Imaterial da Humanidade. Todos

estamos de parabens, e devemos felicitar os promotores responsáveis, que se empenharam em levar a candidatura do Fado até ao fim. Eu vivi tempos em que odiava o Fado, o fado choradinho, da pobreza franciscana, da "casa portuguesa, pão e vinho sobre a mesa". Foram os tempos do Botas, quando a televisão portuguesa nos impingia fado [triste e choradinho] todas as noites. Depois, nos tempos da Radio Caroline, em Inglaterra, do rock-and-roll, das guitarras acústicas etc. os ventos mudaram, e começamos a ouvir fado «fora de portas». Lembro-me do Chico Stoffel, em Cascais, que cantava num dos cafés da vila. Depois do 25 de Abril, o fado remontou, com actuações de «espontâneos», aqui e ali. No Estoril, havia o Galitos, junto ao Tamariz, onde cada qual podia cantar(olar) o fado do seu gosto. Em Birre, havia um local onde havia fado com artistas e onde cada um podia tentar a sua sorte. Era o tempo da liberdade, que tinha chegado. A primeira vez que cantar(olei) fado foi no Galitos, com a ajuda de tres cervejas. Gostava de ouvir João Ferreira Rosa, Alfredo Marceneiro e Fernando Maurício. No início dos anos 80, assisti à ascensão de um fadista de 8 anos, Camané, que empolgou a assistência na Sociedade Musical da Parede. O fado, para mim, representa a alma de um povo que, não cabendo neste quadrado ibérico, se lançou ao mar, e foi ao seu destino [fado], procurar novas terras, novos mundos. Um povo que conseguiu desbravar novos mundos, mas que penou, sofreu muito, e lambeu as feridas na solidão do alto mar. A primeira vez que vi o Fado, de José Malhôa, foi no então chamado Museu do Chiado, tinha eu 19 anos. Impressionou-me o traço da paleta de Malhôa, mas tambem os personagens: o fadista de taberna, e a mulher de alcova...

O "Fado" de Malhôa em azulejos. (Cortesia de Dreamstime.com)



publicado por Evaristo Ferreira às 14:58 | link do post | comentar

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