Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Continuamos a cometer erros históricos, utilizando mecanismos de há 120 anos.

O abuso de «greves gerais», sobrepondo-se aos acordos parlamentares e às decisões do Conselho de Concertação Social -- onde patrões e sindicatos se juntam para negociar salários, regalias e outras questões laborais -- só tem contribuido para o agravamento da situação económica do país. Foi assim que perdemos a fábrica da General Motors, a Sorefame, a Lisnave, a Cometna, a Mabor, a Metalúrgica do Tramagal. Isto só para mencionar algumas das «marcas» que enriqueciam o tecido industrial português. As cúpulas da CGTP e da UGT, esquecendo a «emergência em que o país se encontra», convocaram mais uma «greve geral», um ano depois da última, que foi organizada contra o Governo de José Sócrates. Que nada resolveu, antes piorou as condições sociais, económicas e financeiras. A esta hora, os sindicatos já falam na «maior greve de sempre, superior à de 2010». Os sindicatos falam de 90% de adesão, o Governo contrapõe 3,6%... Uma guerra de números, como sempre acontece, e sem que nada seja melhorado. O Governo e os seus apoiantes, apressam-se a não colocar "em causa, o direito à greve», para, assim, amaciar os sindicatos e as centrais sindicais. No final, toda a gente fica satisfeita: o Governo, porque respeita a liberdade de expressão e o direito à greve; as centrais sindicais, porque conseguiram «mais uma jornada de luta» contra o grande capital e este Governo da Troika. O Governo é maioritário e tem um mandato para «sanear as contas públicas». Os sindicatos, que continuam a manter um lastro revolucionário, vão ufanar-se, mais uma vez, do exito obtido com esta «greve geral»... Esquecem que hoje, dia 24, é mais uma ilusão sua. Amanhã, dia 25 de Novembro, é o dia de vitória daqueles contra quem hoje protestaram, e serão eles os vencedores de amanhã -- tal como aconteceu em 25 de Novembro de 1975.

 

Nesta «emergência», os portugueses estão divididos, quanto à utilidade das

«greves gerais». Temos 12,4% de desempregados, que gostariam de ter um emprego; temos 2,8 milhões de pensionistas e reformados que estão a ser castigados com as medidas do Governo, mas as centrais sindicais acham que eles não contam para a estatística dos «indignados». Que podem fazer os pensionistas e reformados? Prostestar? Mas como, se as «greves gerais» lhes tiram os meios de locomoção? É sabido que a CP, a Carris, o Metro e os STCP, em caso de greve, «travam o passo» aos reformados. Se houver uma manifestação contra os «cortes dos subsídios do 13º e 14º mês» levados a cabo por este Governo, como vão os reformadas da Grande Lisboa acorrer à manifestação em Lisboa organizada em frente da Assembleia da República ou do Palácio de Belém? Nestas condições, os protestos de 2,8 milhões, são abafados. Todavia, nem a UGT nem a CGTP, parecem ter consciência deste problema. Estas centrais sindicais preferem a «luta política», preferem optar pelas greves, agravando ainda mais a economia, e prejudicando quem não pode «perder 20 euros de salário» num dia de greve... Parafraseando Mário de Carvalho, «seria bom que trocassemos umas ideias sobre o [este] assunto». O mundo mudou muito, em 120 anos. Era bom que tivessemos isto em conta, por forma a «deixar de trabalhar», sempre que queremos reivindicar. A «precaridade» é hoje o maior flagelo dos trabalhadores. As greves (de porta fechada), já fizeram história. Na Grécia, fizeram seis ou sete «greves gerais». Todas agravaram a situação.

Neste dia de «grande jornada rinvindicativa», a Fitch reduziu o rating da República para «lixo».



publicado por Evaristo Ferreira às 14:39 | link do post | comentar

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