Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

A União Europeia, nos últimos anos, não tem sido uma "união de países", como

pretende mostrar o nome que lhe deu corpo. Tem sido, sim, uma desunião de países, onde cada um "puxa a brasa à sua sardinha", e esqueceu, por completo, os valores da solidariedade e da equidade. Tudo isto por causa da crise financeira internacional, que afectou profundamente a economia dos países membros da UE, fez o desemprego subir para números alarmantes, e acabou com o longo ciclo de crescimento económico da Europa ocidental. O modelo inacabado do "Governo Económico", que deveria gerir a Zona Euro, tambem não foi além da criação da moeda única e da instituição do limite de 60% para a dívida pública e de 3% para o défice de cada um dos países do Euro. Por tudo isto, não admira pois, que nestes dias de grave crise financeira, económica e social, a UE não consiga conciliar os interesses divergentes de cada membro, agravando, assim, ainda mais, as dificuldades na acção política da UE. Um dia fala a Comisssão, no dia seguinte fala Merkel e Sarkozy, noutro dia fala o Presidente Van Rompuy, depois o director do BCE, para logo falar o presidente do Bundsbank alemão, a negar o que disse Trichet. A cacofonia é tanta, que até o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que nada tem a ver com o euro, começou ontem a dar conselhos aos seus pares europeus sobre o modo como estes deveriam "salvar o euro"... Depois foi repreendido por Sarkozy, com ironia.

 

Por cá, o presidente Cavaco Silva reuniu ontem o Conselho de Estado para ouvir

os membros falar sobre a crise do país. Passos Coelho adiantou-se, e disse que as medidas de austeridade são absolutamente necessárias para resgatar o país. Na mesma data, um dia antes da discussão do OE na AR, José Seguro veio queixar-se da falta de diálogo, por parte do PSD, numa altura em que se pede "unidade" para a aprovação do OE. Passos Coelho defende que o corte do subsídio de Férias e de Natal na Função Pública e nos Pensionistas, não vai atingir os trabalhadores privados, "porque isso não seria cortar na despesa do Estado". Dias depois a CIP aproveita para fazer lóbi, defendendo o não pagamento daqueles subsídios no sector privado. O Professor Marcelo, que é Conselheiro de Estado, disse que "o Presidente andou mal, ao criticar o Governo", mas ontem terá votado ao lado daqueles que alinharam com Cavaco Silva. Marques Mendes [Ganda Nóia], tambem Conselheiro de Estado, andou a perorar na TVI, para quem o quiz ouvir, que a austeridade deveria ser para toda a gente, mas ontem terá votado ao lado do Professor Marcelo, no sentido de apoiar Passos Coelho. Alguns daqueles que votaram contra o PEC-4  -- para apearem José Sócrates -- torcem agora a orelha. Todos quantos andaram na rua, acompanhados por gente grada do PSD, nas manifestações contra Sócrates... estão a sofrer. Não o dizem, mas é evidente que "passaram de cavalo para burro". Foram os professores, os funcionários públicos, os militares, os polícias, os magistrados. Toda esta gente está agora no Inferno. Calada, e a gemer em silêncio... até agora.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:54 | link do post | comentar

mais sobre mim
Abril 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


posts recentes

FIM DE CICLO...

A ENTREVISTA DE SÓCRATES

SÓCRATES NA RTP

PASSOS DE JOELHOS

DESCRÉDITO TOTAL

COM PAPAS E BOLOS...

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!

OS PROFETAS DOS "MERCADOS...

QUE SE LIXE O "PÚBLICO"

OS PAPAGAIOS DO COSTUME

arquivos

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

links
blogs SAPO
subscrever feeds