Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Com a divulgação das medidas de austeridade, constantes no OE

para 2012, a vida dos portugueses transformou-se num pesadelo. Passos Coelho disse, friamente, "não ter que pedir desculpa aos portugueses por tomar as medidas que se impõem ao país". O Álvaro [Santos Pereira], ministro da Economia, afirma que "há vida para além da austeridade. Chama-se combate à subsídio-dependência". Nuno Crato, ministro da Educação, foi além da Troika: em vez dos 195 milhões recomendados no Memorando, vai cortar 600 milhões de euros. E continua a dizer que é preciso "implodir" o ministério da Educação. Paulo Macedo, ministro da Saúde, corta a torto e a direito... mas recuou nalguns casos de transplantes e doenças crónicas. Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros, passa despercebido no meio de tantos "cortes cegos". Assunção Cristas, ministra da Agricultura, ainda só concretizou o "corte" das gravatas dos seus funcionários. Quanto ao resto, ainda não sabemos como vai incrementar a produção da Lavoura; se por emparcelamento, por distribuição de hortas e pomares ou por "subsídios" à produção de leite, ao plantio da vinha, à renovação da frota pesqueira ou aos combustíveis da biomassa. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, vai obrigar os juizes a despacharem, no mínimo, 65 processos judiciais por ano. Mota Soares, o ministro da Solidariedade, continua a implementar medidas de carácter misericordioso, ou seja, a "caridadezinha". Enfim. Este Governo não vai além dos "cortes", descurando o fundamental: o crescimento da economia, a criação de emprego.

À margem destas "medidas burocráticas", tomadas pelo Governo de

Passos Coelho -- e que transformam a vida da maioria dos portugueses numa trágica sobrevivência -- os contornos de uma "rotura social" começam a ficar cada dia mais claros. Enganam-se aqueles que apostam nos "brandos costumes" do povo português. Ao longo da nossa História tivemos períodos de instabilidade social que acabaram por se transformar em tumultos violentos. Hoje, com as redes sociais, é fácil criar movimentos espontâneos de revolta, que podem transformar-se em distúrbios incontroláveis. Até agora, o apelo à contestação das medidas tomadas por este Governo, foram pacíficas, mas com o tempo, com o acentuar da crise, tudo se pode complicar de um dia para o outro. A classe média está num sufoco. Há familias em desagregação, devido ao desemprego, ao corte nos subsídios, ao incumprimento de encargos assumidos. Os funcionários do Estado, estão à beira de um ataque de nervos. Os polícias, os prfessores, os enfermeiros, os militares, estão no limite da sobrevivência. O Estado tem sido cruel, frio, desumano. Tudo por causa do défice e da dívida -- dizem os tecnocratas. Mas esquecem que o Estado paga ordenados chorudos, subvenções e subsídios de sobrevivência, ou reformas, a uma classe de servidores, aos quais não são pedidos sacrifícios, nem cortes nos benefícios que auferem: refiro-me a ex-presidentes da República, da Assembleia da República, a ex-deputados, etc. Passos Coelho decidiu não cortar os subsídios de Natal e Férias no sector privado, mas as Confederações patronais já estão a pressionar para não pagarem, a troco de não haver despedimentos. Outra questão controversa diz respeito à falta de medidas para fomentar o crescimento da economia. Todos falam de contas públicas, défices, cortes na despesa, etc., mas raramente se ouve alguem a reivindicar medidas para aumentar o crescimento da economia e elevar o emprego... Sem crescimento, não vamos a lado nenhum. Morremos na praia.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:47 | link do post | comentar

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