Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Graças à sugestão de amigos de longa data, viajei para o Douro, 

durante tres dias, integrado numa excursão organizada pela Associação de Hoteis e Restaurantes de Portugal (AHRESP), destinada a promover, divulgar e desfrutar o que de melhor temos neste país na área do turismo, da cozinha regional, dos vinhos, da cultura em geral. Desta vez começamos por visitar a unidade de produção de pregado da Pescanova, situada em Mira, e que foi inaugurada em 2009 pelo então primeiro-ministro José Sócrates. É um projecto gigantesco, o maior da Europa, composto por 742 enormes tanques que se estendem numa área ao longo de 2,5 kilómetros, onde é criado o suculento pregado, que abastece o mercado interno e europeu, e que, em 2012, atingirá mais de 7.000 toneladas. Toda o sistema de captação de águas do mar, produção piscícola, crescimento e engorda do pregado, bem como o controle de sanidade de produto é feito em cadeia, a partir de sistema informático. Trata-se de um vasto complexo piscícola inovador, equipado com tecnologia de ponta, que honra a Pescanova e o nosso país.

 

De Mira fomos para Santa Cruz do Douro, Baião, onde ficamos

instalados no Douro Palace Hotel Resort, um requintado projecto encastrado num velho palácio senhorial, onde foi preservado o granito e a telha vermelha. Está situado a uns 200 metros acima do nível do rio Douro. O autor do projecto conseguiu enquadrar a modernidade com a traça antiga do velho palácio, dotando o hotel de todas as comodidades modernas, inclundo piscina, SPA, salas de diversão e espaços de lazer. Este projecto mostra que é possivel manter o património cultural, a memória do nosso passado, com as necessidades e o conforto exigidos nos tempos de hoje. Sobranceiro ao rio Douro, o Douro Palace Hotel, permite-nos desfrutar de uma soberba paisagem duriense, banhada pelo rio Douro.

No dia seguinte, fomos apanhar o comboio a Aregos, para uma

viagem à Régua. Daqui, seguimos de barco até ao Pinhão. É uma viagem onde, mais uma vez, somos surpreendidos pela gradiosidade dos vales por onde corre o rio Douro. Antes de lá chegarmos, teremos que experimentar a sensação de sermos "empacotados" numa eclusa para que o barco suba à cota mais alta e possa navegar rio acima. Chegados ao Pinhão, o Sol deste Outono batia, escaldante, inclemente, e recordei então o velho ditado popular: Douro, é quatro meses de inverno, e oito meses de inferno. Não corria a mais leve brisa, e o rio era um espelho de calmaria, onde se reflectiam as vinhas em socalco. O ar sufocava. Mais além, a caminho do Pocinho e Barca de Alva, não era possivel imaginar que um dia o rio Douro, encrespado, tivesse virado o barco em que seguia o Barão de Forrester, com as suas libras, e na companhia de D. Antónia, a Ferreirinha. Ele morreu, talvez com o pesa das libras. D. António sobreviveu, graças à sua saia de arco... (Manuel Gomes, dixit).

 

No último dia, a AHRESP levou-nos a Tormes, à Fundação Eça de

Queiroz (FEQ). Foi uma ideia feliz, esta de juntar os profissionais da Hotelaria e Restauração à nossa Literatura... É verdade que os produtos da nossa terra, e os pratos da cozinha regional, desde há muito que serviram de mote para alguns dos nossos  melhores escritores. Eça de Queiroz, em A Cidade e as Serras, elogiou os pratos da cozinha duriense e cantou loas ao vinho produzido em Tormes. A casa e a propriedade de Eça de Queiroz, situada em Tormes, serviu de cenário às personagens Jacinto e Zé Fernandes, que ali  descobriram as coisas boas que em Paris não podiam desfrutar (último quartel do século XIX). A Fundação Eça de Queiroz (FEQ) preserva, assim, a obra e o espírito do autor de Os MaiasA Relíquia, O Crime do Padre Amaro, etc.  A história sumária da FEQ pode ser consultada aqui, contada por Isabel Pires de Lima. Para além do ambiente em que Eça trabalhava na sua casa, todos os meios e artefactos rurais do seu tempo se mantêm, como seja o lagar, a adega, a cozinha, etc.



publicado por Evaristo Ferreira às 16:17 | link do post | comentar

2 comentários:
De Luís Soares a 19 de Outubro de 2011 às 18:24
Boa tarde Sr. Evaristo,

Daqui é o Luís, que esteve presente na viagem da AHRESP.

Partilho de tudo o que opina neste post.

Mais uma vez, afirmo que foi um prazer conhecê-lo.
Estarei atento a este seu espaço,
Cumprimentos,
Luís


De Evaristo Ferreira a 20 de Outubro de 2011 às 12:56
Amigo Luis, obrigado pela gentileza. Espero por uma próxima oportunidade, para falarmos, já que o Mário Pereira deseja dar continuidade às viagens no Portugal turístico, que muito tem para oferecer. Um abraço. evaristo


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