Sexta-feira, 1 de Julho de 2011

Um dos meus leitores não concorda comigo, por eu ter afirmado

aqui, ontém, que o Programa de Governo é demasiado vago, pouco concreto nas suas proposições e abundante em palavreado. Eu continuo a pensar que, para além de dois ou tres ministérios, todos os outros apresentam "muita parra e pouca uva". E não sou apenas eu a pensar que assim é. De resto, veja-se o que diz o Programa do Governo sobre o (ministério) mar: "[Iremos] promover a interoperacionalidade entre os múltiplos sectores ligados às actividades marítimas num conjunto de áreas que têm um papel de suporte e sustentação das cadeias de valor dos componentes prioritários". Em minha opinião, isto é apenas palavreado, verborreia geral, que nada concretiza nem ajuda a concretizar. Este palavreado vem na senda dos salamaleques que o Governo implantou no cerimonial da apresentação do seu Programa, na Assembleia da República. A apresentação dos trabalhos pelos respectivos ministèrios, era engalanada pelos salamaleques à direita, ao centro, à esquerda e extrema-esquerda. Depois, durante a leitura ministerial, ouviam-se os ecos da praxe: "muito bem!"... "muito bem"... "muito bem!"...

 

Passos Coelho, que tanto falou de "verdade" e de "transparência"

durante a campanha eleitoral, vem agora "mentir", "deturpar" e dar o dito por não dito. As castanhas quentes começam a rebentar-lhe na boca. E, com estes petardos, lá se vai a transparência e a verdade. Passos Coelho afirmou no dia 1 de Abril, que "isso de cortar no 13º. mês, era uma mentira" do engenheiro Sócrates -- que assim pretendia meter mêdo aos portugueses. Afinal, Passos Coelho já tinha acordado, com Eduardo Catroga, um corte no 13º. mês. Passos Coelho vem agora dizer que esta medida era necessária porque o défice das contas está nos 7,7%... Passos Coelho, com este argumento, está a ser hipócrita, "mentiroso" e a esconder a "verdade". Passos Coelho sabe que, no primeiro trimestre do ano, o corte no défice é menor, tendo efeitos práticos e esperados a partir do segundo trimestre. Ao recusar o PEC-4, Passos Coelho contribuiu para que as medidas tomadas por José Sócrates não produzissem efeito no défice... Esta é que é a "verdade". O que Passos Coelho sempre pretendeu foi "ir mais além da troika". Agora é que se lembrou da "derrapagem das contas". Esta é uma atitude enviesada, pouco transparente, muito hipócrita e que em nada abona a "política de salamaleques" inaugurada pelo novo primeiro-ministro.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:49 | link do post | comentar

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