Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Ao fim de seis anos de luta renhida, o PPD/PSD conseguiu ontem

chegar ao poder pelo passo de Passos Coelho. Ganhou com 38,6% dos votos. Apesar de, durante a campanha, ter apelado à "maioria absoluta", a um "resultado forte, substancial", Passos Coelho não conseguiu ir além dos 38,6%. Terá de governar com a muleta de Paulo Portas. que tudo fará para ficar com uma parte de leão no Governo. De qualquer modo, esta é uma vitória da direita portuguesa, que há muito ansiava por chegar à mesa do poder.Despois destas eleições, numa União Europeia de 27 países, restam apenas quatro governos socialistas ou social-democratas: Espanha, Grécia, Eslovénia e Chipre. As dificuldades criadas pela crise financeira internacional contribuiram, em grande parte, para a viragem à direita em muitos países. Portugal segue pelo mesmo caminho. Neste momento o nosso país passa a ser governado por uma coligação conservadora, neo-liberal e populista, e tem um Presidente conservador. Este poder agrada aos "mercados" e aos patrões da indústria. O Estado Social vai ser atacado, reduzido, vilipendiado. Os patrões da indústria vão ter mais oportunidades para enriquecer, engordar e criarem poder. No meio disto, o que espero, é que o país ultrapasse as dificuldades, pague a sua dívida, inicie um ciclo de crescimento económico e crie emprego para centenas de milhares de desempregados. A hora é de mudança, e chegará o tempo em que será necessário mudar, novamente. Tenhamos esperança.

 

Factos a assinalar nas eleições de ontem. Em primeiro lugar,

a elevada abstenção, que pode ter vindo do eleitorado do PS.  A campanha de ódio e de calúnias conduzida contra José Sócrates, pelos ressabiados ligados à Velha Senhora, pode ter contribuido para o cansaço e a desilusão de alguma parte do eleitorado socialista. A abstenção acabou por beneficiar Passos Coelho, que conseguiu contabilizar 105 deputados com apenas 38,6% de votos. Paulo Portas -- o único candidato a 1º.Ministro -- teve uma percentagem inferior à que lhe davam as sondagens. E os confederados do Bloco de Esquerda, que se aliaram à direita para derrubar Sócrates, tendo, para isso, apresentado uma moção de censura no Parlamento, foram os grandes derrotados destas eleições... O povo não esqueceu esta acção suicida do BE... Fez do PS o seu principal inimigo, aliou-se à direita e esqueceu-se das suas origens. Resultado: perdeu metade do seu grupo parlamentar. O povo não esquece a incoerência dos políticos. O "camarada Jerónimo", surpreendeu. Aguentou-se, em termos de percentagem, e ainda ganhou um deputado. Insólito?...  Não esqueçamos que o PCP é o partido mais antigo em Portugal.

José Sócrates, no actual contexto económico, político e social, não tinha hipóteses de vencer aqueles que apelaram à "mudança". O ciclo da sua governação acabou. Saiu com dignidade, humildade e tolerância. A História dará conta da sua obra, das suas reformas, da modernização do país e da coragem com que sempre defrontou ou seus adversários.

 



publicado por Evaristo Ferreira às 15:08 | link do post | comentar

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