Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Nestes dias de pré-campanha eleitoral, quando os partidos políticos

deviam apresentar os seus Programas de Governo e esclarecer o eleitorado de que, nos próximos dois anos, a vida dos portugueses vai ser muito dura, eis que entra em cena o sósia de Mr. Magoo -- o "avôzinho" Catroga -- que ocupa todo o espaço comunicacional, fazendo de comediante trôpego, sem que os actores políticos se façam ouvir. O "avôzinho" Catroga tornou-se a coqueluche dos jornalistas nacionais. Embora ele diga que os nossos jornalistas "em vez de andarem a discutir os grandes problemas do nosso país, [prefererem] discutir sobre pentelhos", os profissionais da informação continuam a gostar do "avôzinho" Catroga, das suas boutades, das suas falhas de memória, do seu gaguejar, do seu vocabulário vernáculo, da sua surdez e da sua miopia. Com este clone à solta, e com os jornalistas que temos, torna-se dificil captar a atenção do eleitorado.

 

O "avôzinho" Catroga todos os dias é solicitado -- pelos jornais,

rádios e televisões -- para conceder uma entrevista. Ele fala para o Negócios, para o I, para o Público, para o Ecnómico, para a TSF, para a SIC-N, para tudo o que tenha antena. Catroga, tal como Mr. Magoo, fala para qualquer coisa, nem que seja para uma parede. Tão habituado está a "palrar" que já confunde a cerveja com o vinho, as taxas marginais do IRS com as taxas do IVA, os pormenores da "coisa"  com "os pentelhos"... Decididamente, ou o "avôzinho" Catroga está "passado", ou a qualidade do nosso jornalismo está pela hora da amargura. Catroga fala, fala, gesticula, meneia, ruboriza e todos os jornalistas lhe dão antena. Depois do churrilho de asneiras e das opiniões expendidas por Catroga, o PSD pára a máquina de campanha, para convocar a imprensa, e dar o dito por não dito, que foi dito pelo "avôzinho" Catroga... Não há paciência para aturar o "homem da luta" em que se transformou este irrequieto senil.

 

A continuada exposição de Catroga na comunicação social,

está a tornar-se uma tragicomédia, não apenas pelos episódios carnavalescos a que tem dado lugar, mas tambem por mostrar que o PSD continua a não ser um partido coeso, de fortes convicções sociais-democratas, ora conservador ora neoliberal, com grupos de tendências fulanizadas, ou seja, de cavaquistas, barrosistas, mendistas, menezistas, santanistas, etc. De momento, e apesar da "unidade" demonstrada no último jantar nortenho, ao PSD continua a faltar uma forte liderança, capaz de se impôr às tendências de opinião dentro do partido, e deste se apresentar ao país como uma verdadeira alternativa. Esta questão leva a que os militantes do PSD, em vez de tratarem dos problemas genéticos de que enferma o partido, se virem contra a liderança do PS, que se mantem unida e sólida. Aqui entra o ressabiamento, a frustação e a cegueira, que conduz à calúnia, ao ataque soez e ao ódio de que é alvo José Sócrates e o PS.

 

 

 

 



publicado por Evaristo Ferreira às 14:39 | link do post | comentar

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