Quinta-feira, 31 de Março de 2011

O país está ansioso, à espera do oráculo de Belém que será revelado ao fim do dia, em directo pelas televisões. Suspenso, ansioso, mas nada convicto de que, o oráculo, seja ele qual fôr, não trará a solução para os problemas do país. Antes pelo contrário, o oráculo anunciará que vamos entrar num período de campanha eleitoral, onde os políticos se vão confrontar, acusando-se mutuamente pela crise que assola o país. Ao contrário do que alguns "papagaios" apregoam, a campanha eleitoral não trará apaziguamento e entendimento entre os partidos. Depois do que aconteceu ao longo de seis anos e, sobretudo na tomada de posse de Cavaco Silva, é natural que as "feridas" provocadas pela oposição ao actual primeiro-ministro continuem a sangrar, e causar muitas dores de cabeça a todos os intervenientes. Não poderá ser de outro modo; os partidos e os líderes políticos devem clarificar os seus pontos de vista, marcar as suas diferenças (não as divergências), lutar pelas suas convicções por forma a mostrar ao eleitorado quais são as opções certas para ultrapassar a crise. Todos, políticos, militantes, comentadores, devem fazer uma catárse. Só assim poderemos entrar numa nova era de responsabilização, de transparência e de respeito pelos eleitos do povo.

Neste tempo, nos dias que correm, a falta de respeito pelas mais elementares regras de convivência democrática, contribuiu para a "rasteirice", a injúria, o ódio e o rancor entre os políticos. Gente como Vasco Graça Moura, apoiante do PSD, que em tempos foi poeta, escritor, tradutor de Dante, Petrarca e Goethe, contribui para o abandalhamento da vida política. Repare-se: o vate, etimologista e acérrimo defensor da língua portuguesa, tem um página no DN onde, semanalmente, debita veneno pestilento, usando uma linguagem rasca, que envergonharia o poeta Luis de Camões... O veneno viperino de VGM cega-lhe o estro, a veia poética, a linguagem parnasiana. O VGM, esta semana, e mais uma vez, mandou às urtigas o léxico do bom português, exprimindo-se tres vezes por "merda"... E nenhum leitor se insurgiu contra a choça suina, nem o DN limpou a "merda" do reco Vasco Graça Moura... Ora, quando um ex-poeta, amante de Dante e Goethe, chega a este limite, é porque há, neste país, necessidade de muitos psicólogos, para tratar de tamanha insanidade mental -- antes que esta se propague aos nossos políticos, que ainda se mantenham lúcidos.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:56 | link do post | comentar

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