Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Depois da vitória do povo egípcio, consumada após trinta dias de ocupação da Praça da Indepência (Tharir), no Cairo, levando à queda de Mubarak, por cá, a comunicação social e os "papagaios" do costume empenham-se agora em "derrubar" o Governo, co'moções ou sem moções, enquanto outros, mais sensatos recuam para trás das tábuas. Até o oráculo mais afamado deste país, o Professor Marcelo, se retratou ontem na TVI dizendo que, afinal, o "morto" não está morto -- devido à implausível moção de censura prometida pelo PCP -- voltando, assim, tudo à estaca zero. Quer dizer, o Professor Marcelo já não admite fazer o "funeral" do Governo. Por ora, vai dedicar-se à actividade jornalística, fazendo entrevistas de alto valor patriótico. Ontem entrevistou Paulo Bento, selecionador da equipa das quinas... O jogo correu fraco, sem golos, mas Paulo Bento ganhou a Marcelo, por comedimento nas palavras e prontidão nas respostas.

À margem do oráculo Marcelo, outras vozes se levantam para derrubar José Sócrates. Sao os professores que pretendem adiar a sua avaliação; são os trabalhadores a fazer greve por aumentos de salário; são os juizes e magistrados a requerer tratamento especial; são os médicos do SNS a pedirem a reforma; é o Presidente Cavaco Silva a vetar o diploma do Governo sobre a venda de medicamentos genéricos -- revogando, assim, uma lei que ele tinha criado em 1990 .. Simultaneamente, os boys do PSD desesperam por não chegarem à mesa do poder, e pressionam Passos Coelho para criar, já, um Governo Sombra, enquanto outros rejeitam a ideia, dizendo que isso poderia dar ideia de quem iria ser o ministro desta ou daquela pasta... Nas áreas de economia e finanças, o clamor é outro: pedem incentivos ao Governo para tudo e mais alguma coisa e os banqueiros continuam a afirmar que o FMI não é preciso, desde que nós sejamos capazes de resolver os poblemas. Tal como o primeiro-ministro, José Sócrates, está fazendo, desde sempre. Foi assim com o Congresso das Exportações, que reuniu mais de 1.000 empresários, e foi ontem com o Fórum Novas Fronteiras, sob o lema "Defender Portugal". Este lema fez amarelecer alguns "comentadores" e irritar algunss políticos. "Não passa de propaganda", dizem estes. Mas Portugal deve ser defendido, com coragem, e agora mais do que nunca. Os "mercados" da usura e da agiotagem funcionam, castigando os mais fracos. A ganância deles não tem limite, com FMI ou sem FMI. Que o digam os gregos e os irlandeses... Depois de pedirem "ajuda" ao FMI os juros da dívida soberana estão na ordem dos 11,3 e 8,75 por cento, respectivamente. Os "mercados" são insaciáveis, até Dilma Roussef tomou medidas para baixar a despesa do estado em 6 por cento... A dívida brasileira está com juros superiores a 5 por cento! A oitava economia do mundo, com crescimento de 5,3 para este ano, paga juros mais caros do que a Alemanha, Holanda, Suécia, etc. Mistérios da agiotagem que medra nos "mercados".



publicado por Evaristo Ferreira às 14:55 | link do post | comentar

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