Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Os Deolinda estão na moda.´Têm estudos superiores, dedicam-se à indústria da restauração, fazem carreira artística num conjunto com o mesmo nome, e estão a fazer sucesso com a canção Parva que sou, um retrato do quotidiano da nossa juventude -- dizem os sociólogos entendidos na matéria. Para memória futura, aqui fica a lamúria da canção: "Sou da geração sem remuneração/ E não me incomoda esta condição/ Que mundo tão parvo/ Onde para ser escravo é preciso estudar./ Sou da geração 'casinha dos pais',/ Se já tenho tudo, pra quê querer mais?/ Que parva que sou/ Filhos, marido, estou sempre a adiar/ E ainda me falta o carro pagar/ Que parva que eu sou!/ E fico a pensar,/  Que mundo tão parvo/ Onde para ser escravo é preciso estudar".

Não vejo nesta canção dos Deolinda grande filosofia, mas a nossa élite pensante atribui-lhe grande importância, com alguns ilustres pensadores a ditarem que, Parva que sou sintetiza todo o sistema de vida da nossa juventude. Dizem mais: tornou-se no ex-libris de uma época, tal como nos idos de 1990 se criou a "geração rasca", tal como nos idos de 1980 se assistiu à emergência das "bandas de rock português", com os UHF, os GNR, os Já Fumega, os Trabalhadores do Comércio, etc. Pensar deste modo leva-nos a esquecer o essencial do como foi antes, como é agora e como será no futuro. É verdade que esta geração beneficiou dos sacrifícios feitos pela geração anterior, tornandose, por via disso, mais acomodada, enquanto a anterior teve que ir à luta, empreender, emigrar. Mas há uma coisa que não podemos esquecer: à actual geração exige-se mais estudos, mais competências, mais inovação. Estudar não tem sómente que ver com a preparação para o trabalho; estudar, inovar e empreender é hoje mais acessível, mas tambem mais exigente. Há 40/50 anos quase ninguem tinha passaporte para ir para o estrangeiro. A geração de hoje pode estudar em Portugal ou em qualquer outro país europeu. Depois do curso, qualquer cidadão pode ir procurar trabalho nesta Europa a 27 países. Hoje não há fronteiras, quem não estiver bem aqui, tem um imenso mercado de trabalho para explorar. Esta vantagem não a tivemos nós, a anterior geração. Por isso eu não aceito a lamúria dos Deolinda, ou de quem quer que baixe os braços e apenas se lamente: "Que parvo/a eu sou". Esta geração deve preparar-se a nível universitário, para depois usufruir das vantagens do espaço europeu. A Alemanha está a precisar de 500 mil engenheiros, por ano, pois os índices de natalidade são baixos e os reformados estão a aumentar. Deolindas, aproveitem!



publicado por Evaristo Ferreira às 12:38 | link do post | comentar

1 comentário:
De Jorge a 9 de Fevereiro de 2011 às 17:56
Nao concordo contigo. Deolinda sao muito bons e esta reacção à música prova-o. Ouçam nos e cresçam mais um pouco!


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