Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

A notícia é esta: Portugal voltou aos "mercados", com êxito, vai vender mais

dívida do que tinha calculado, e pagará juros entre 4,85 e 4,95% a um prazo de 5 anos. Para não haver descarrilamento, o Estado já tinha assegurado a venda de títulos ao Barclays, Deutsche Bank, BES e Morgan Stanley -- não fôsse a coisa ir por água abaixo. Pois toda esta gentinha -- os azetecas louvaminheiros dos "mercados" -- se levantou em bicos de pé para chamar a cada um de si o êxito desta operação. Até o ministro do Foreign Office, Paulo Portas, veio dizer que tinha mobilizado o pessoal diplomático para ajudar à operação financeira... Portas, o ministro que tem procurado fugir -- sempre que Passos Coelho tem austeridade para anunciar aos portugueses -- veio a terreiro colher louros. Para além do ministro Portas, vimos, ouvimos e lemos o côro de hossanas, vindos de todos os azimutes onde reside a fauna azeteca louvaminheira dos "mercados". Que grande fraude, que grande cantata em ré maior. Não fora o senhor Mário Draghi, maestro do BCE; não fora a promessa de Schäuble feita a Vitor Gaspar; não fora a Irlanda; não fora a Espanha -- que recusou a Troika, não cumpriu o défice de 2012, e que ontem vendeu dívida a juros justos, com procura superior a 6 vezes o montante pedido -- eu queria ver como é que esta gente se aviava. O Banco Central Europeu, pela voz de Mário Draghi, em Junho do ano passado, "travou" a fundo a soberba dos "mercados" especuladores de dívida soberana, ao prometer que tudo faria para salvar o euro e acabar com a desenfreada especulação verificada nesta área financeira. A partir de Julho, os "mercados" começaram a ter tino e a não prevaricar. A operação financeira de hoje é boa para Portgal? Claro que é, mas isso deve-se a factores externos e não a esta gente "bajuladora dos mercados", que sempre recusou a exigir da Troika mais prazo e menos juros. Passos Coelho jurou à pouco tempo que Portugal não iria pedir adiamento nem renegociação da dívida. Sempre o afirmou. Não admira que, nos próximos meses, o Governo vá continuar a ser escoiceado pelos indignados deste país. O calendário das manifs começa a estar na ordem do dia. É que, efectivamente, o "sucesso" de hoje, em nada alívia a carga de impostos ou a descida do desemprego, nem o corte nas pensões e nos ordenados, e muito menos o empobrecimento do país, que esta gente arrastou para as horas da amargura.

A cúpula do movimento "Que se lixe a Troika", responsável pelas manifestações

em 15 de Setembro de 2012, já está no terreno. Próxima manif é a 2 de Março...



publicado por Evaristo Ferreira às 15:33 | link do post | comentar

2 comentários:
De Francisco Clamote a 23 de Janeiro de 2013 às 17:04
Meu caro Evaristo Ferreira, como digo noutro local, tenho muitas dúvidas de que esta ida ao "mercados" tenha sido um êxito. Temo bem que seja sinal do contrário.


De Mr. Black a 23 de Janeiro de 2013 às 18:02
Quais mercados?


Foi a banca nacional que tomou a dívida toda ou quase toda.


As arrastadeiras do Relvas andam a trabalhar mal.


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