Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013

O Governo empossou ontem a Comissão para a Reforma do IRC. Foi numa

cerimónia onde faltou o ministro da Economia. As estrelas da sessão foram o ministro Gaspar e o emproado ministro do Foreign Office, Paulo Portas. Ao lado destes esteve António Lobo Xavier, militante do CDS, que vai dirigir a referida Comissão. Tudo transparente, mas com laivos fortes no que toca a "conflito de interesses". Porquê? Porque Lobo Xavier, de há muito arredado do Parlamento, está do lado dos empresários. Vejamos o rol de "interesses" deste advogado , que faz parte da firma Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados: Lobo Xavier, para além de ter poleiro na Quadratura do Circulo, transmitido semanalmente na SIC-N, é gestor de topo da Sonaecom, trabalha para a Mota-Engil, para a Riopele, para a Textil Manuel Gonçalves, a Jerónimo Martins (Pingo Doce), faz parte da Fundação Belmiro de Azevedo, da Fundação Serralves, da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), da Associação Comercial do Porto, e consta nos activos da VALLIS-Capital Partners (private equity), um fundo de investimentos. Como se tudo isto não bastasse, Lobo Xavier ainda trata da sua vinha, uma herdade com cêpas de singular qualidade. Dir-me-ão, mas o Lobo aceitou "fazer uma reforma abrangente do IRC", sem reclamar nenhum salário. É verdade, mas o Comendador Lobo Xavier, a quem o presidente Cavaco Silva atribuiu a Ordem do Infante D. Henrique em 2012, não é pessoa de dar ponto sem nó. Para já, o Estado vai suportar as despesas da equipa de peritos (mais uma) orientada por Lobo Xavier. Depois, os "patrões, se a lei lhes for favorável, não deixarão de prestar vassalagem ao fiscalista abrangente, que lhes vai aliviar a carga dos impostos. A este propósito, ocorre-me citar o escritor Mário de Carvalho, que disse o seguinte a propósito dos nossos políticos: "As pessoas que se encontram à frente dos destinos do país, não são cidadãos livres. Estão ligados e são dependentes de interesses" (post do dia 2-1-2012). O exemplo de Lobo Xavier, que trabalha para um mundo de empresários, é a prova provada de que na política existe tráfico de influências, terríveis conflitos de interesse, falta de rigôr e de transparência. Lobo Xavier fará uma boa acção a favor dos empresários, ao reformar o Código do IRC.  Como cristão que é, Lobo Xavier ficaria bem com Deus, se procedesse à reforma do Imposto de Rendimentos de Singulares (IRS), pois Passos Coelho, transformou este imposto num garrote para a classe média. Neste caso, duvido que Lobo Xavier não apresentasse a factura...

A "indústria da legislação fiscalista" está em mão dos testas-de-ferro dos empresários...

O Comendador Lobo Xavier vai liderar uma equipa de seis fiscalistas. Será desta que

ele vai conseguir fazer a "quadratura do circulo"? Estou para ouvir o Pacheco Pereira.



publicado por Evaristo Ferreira às 14:39 | link do post | comentar

1 comentário:
De Francisco Clamote a 4 de Janeiro de 2013 às 19:27
Aplausos!


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