Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Aprecio o pensamento político de Mário Soares e as suas análises políticas, semanais, estribadas na penúltima página do DN raramente estão em desacordo com os meus ideais políticos. No entanto, hoje, metade daquela página é dedicada ao PS. Mário Soares aconselha os socialistas a fazerem uma reflexão aprofundada "mais virada para o futuro e menos para o passado". Muito bem, e adianta: [O PS português deve] "dar um novo impulso à sua participação na vida política (independentemente do Governo, com mais idealismo socialista e menos apparatchik, mais debate político e menos marketing, mais culto pelos valores éticos e menos boys que só pensam em ganhar dinheiro e promover-se..."  Mário Soares ven defender os "valores éticos" na política, coisa que os comentadores da nossa praça também defende. Todos eles, mas nenhum concretiza a forma como poderemos alcançar esse objectivo. Para tanto faz falta um António Barreto, que é sociólogo, e bem poderia dar uma achega. No entanto nem Barreto nem qualquer outro sociólogo, como seja Manuel Maria Carrlho, têm ideia de como fazer política colando a esta os princípios éticos... Nenhum deles o consegue fazer porque estão "dominados" pela indústria do advertising, a qual se apoderou da indústria produtora de meios de consumo, e cerceou toda a nossa liberdade de escolha. O advertising está omnipresente em todos os "mercados de consumo", alienando a nossa liberdade, motivando-nos a consumir, exigindo de nós, consumidores, mais e mais dinheiro para comprar tudo e mais alguma coisa, para que, asssim, possamos ser felizes, poderosos, invejados, cheios de líbido e impantes de riqueza.

Ora bem, perante esta avassaladora máquina do advertising, que nos obriga a competir com o próximo para sermos os melhores, os mais cotados e mais aptos a enriquecer -- como podemos nós condenar "os boys que só pensam em ganhar dinheiro e enriquecer"?... Mas não é para isso que os nossos filhos vão à escola, estudam e procuram "armar-se" com um canudo?  Vivemos o mito dos "mercados", estes utilizam o advertising para promover engenheiros, doutores, marcas comerciais, produtos de consumo corrente, como a cerveja, o álcool e a aspirina... Os valores éticos foram relegados para segundo plano. Na nossa civilização, neste sistema democrático, o advertising e o apelo ao consumo dominam as nossas vidas. Não podemos condenar aqueles que frequentaram a universidade, aprenderam a ser competitivos, e procuram agora ganhar dinheiro... A ética, a moral e a solidariedade devem começar na educação, na família, na escola, e depois nos negócios... Infelizmente náo é isso que acontece. Apenas se tem procurado dar relevo ao valor do sucesso pessoal. Este, é o vírus que contamina a sociedade actual.

(Cortesia do Jornal de Angola.)



publicado por Evaristo Ferreira às 16:26 | link do post | comentar

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