Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

Quase todos nós, os que acompanhamos o tratamento aplicado pela Troika

aos países sob assistência financeira, já começámos a perceber que a receita aplicada, está errada. No caso do nosso país, já percebemos que a dose cavalar de austeridade aplicada não trouxe melhorias. Pelo contrário, o país está cada vez pior, cada vez mais anémico. O PIB afunda-se, o desemprego é avassalador, o Governo falha as metas, a economia não funciona. O povo está exaurido, cansado, desiludido, e não vê luz ao fundo do tunel. O que é que está a falhar, o que é que está errado no Programa da Troika? É sabido que a Troika (FMI-UE-BCE), aplica os "modelos" utilizados pelo FMI nos demais países, ou seja, em África, América do Sul, Ásia e Europa. E, embora dolorosos, aqueles "modelos" têm sido aplicados com sucesso. Então porque é que não funcionam em Portugal e na Grécia (a Irlanda é um caso especial, tratou-se de salvar a banca, não a economia, que sempre funcionou). Quanto a mim, os "modelos" aplicadas na Zona Euro pela Troika (baseados nos manuais do FMI), não se ajustam a países da moeda única. A razão é simples, fora da Zona Euro, onde os países soberanos têm uma moeda, que podem desvalorizar, ou subir os juros bancários, os "modelos" do FMI funcionam bem. Nos países da Zona Euro os programas expressos nos "manuais em Excel" do FMI não resultam, pura e simplesmente, porque nenhum país do euro pode "desvalorizar moeda ou subir juros". Estas duas armas podem ser utiliazadas para baixar salários, controlar a inflação e animar a economia. Portanto, a receita da Troika nunca pode funcionar nos países do Euro. Está errada. E mais uma vez se prova que a teoria dos "modelos" e dos "cadernos de Excel", não bastam para ultrapassar a crise. Há prá aí alguem que faça chegar esta "abébia" ao senhor Abebe Selassie, ao Gaspar e ao Durão Barroso?

O racionalismo das folhas de cálculo nem sempre é o suficiente para o estudo

de um problema complexo, que requer conhecimento e experiência em diversos

domínios da vida empresarial e na governação de um país em apuros financeiros.



publicado por Evaristo Ferreira às 16:04 | link do post | comentar

4 comentários:
De Kid Karocho a 26 de Outubro de 2012 às 17:55
A essa razão está associada outra:
Quando das anteriores intervenções do FMI, em África e na América Latina, não se vivia num contexto de crise global do capitalismo. Os mercados que importavam as bens fornecidos por esses países estavam em expansão.
Isso agora acabou!
Esta é uma crise caracterizada pelo excesso de oferta/depressão da procura à escala global, que leva a que mesmo que pudéssemos desvalorizar a moeda para potenciar as exportações, para onde é que exportávamos? Para Marte?


De Santos Costa a 27 de Outubro de 2012 às 23:12
Olhe, Kid Karocho, a única coisa que podíamos exportar para Marte - e valeria a pena - é este ministro das Finanças que nos faz andar na Lua.


De Francisco Clamote a 26 de Outubro de 2012 às 23:01
Não me admiraria que a sua explicação esteja certa, mas não tenho conhecimentos para em definitivo me pronunciar. Mas uma coisa é certa e está à vista de qualquer leigo como eu: a "receita" que está a ser aplicada não funciona. Abraço.


De Santos Costa a 27 de Outubro de 2012 às 23:09
Ao Selassie e ao Durão, pode chegar essa "abébia"; ao Gaspar, da maneira que ele é, duvido.


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