Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Continuo a acreditar que o anúncio da concessão da RTP1 a privados, feito pelo

"moço de recados" António Borges, não passa de uma nuvem de fumo destinada a esconder os maus resultados da execução orçamental deste Governo, divulgados um dia antes pelo INE. Todavia o anúncio de António Borges causou tanta surpresa, tanta discussão na blogosfera e nos meios ligados ao mundo da informação, que não quero deixar de contribuir com a minha parte, acrescentando duas ou tres razões para a não concessão da RTP1 a operadores privados. Concessionar a RTP1, fechando a RTP2, a RTPInformação, e certamente a RTP-Memória, seria um erro crasso e um crime de lesa Estado. Entregar uma "máquina" de informação e entretenimento público a privados, equipada com meios sofisticados e gerida por trabalhadores altamente especializados, é como dar um bolo grátis a alguem, enfeitado com uma cereja no topo, ou seja, com um cheque anual de 140 milhões de euros... Isto seria entregar o ouro ao bandido. De resto, a Televisão Pública tem uma património intangível que precisa de ser salvaguardado. A RTP tem, através da RTP-Memória, um acervo documental ímpar, que faz parte da nossa história. Por outro lado, a RTP presta serviço público que nenhum operador privado estará disposto a cumprir. Programas culturais, programas infantis, festas dos hospitais, festival da Eurovisão, grandes entrevistas, proximidade com as popelações, etc. -- todos estes serviços não agradam aos privados. O que eles querem é facturar, subir nas audiências, ter muita publicidade. Para conseguir tudo isto, os privados são capazes de tudo e de mais alguma coisa, como seja novelas de "faca e alguidar", cenas de bigbrothers, concursos a mostrar a obsidade mórbida das pessoas, etc. Sem o "serviço público de tv", deixariamos de saber do resto do país; sem a RTP, perderíamos toda a memória histórica dos útimos 60 anos; sem o "serviço público de tv", perderíamos parte da nossa entidade. Sinceramente, não acredito nos desejos mirabolantes do "moço de recados" que, não sendo eleito pelo povo nem fazendo parte do Governo, veio para a praça pública a "pregar", desviando a atenção dos media para a grave situação da execução orçamental a cargo deste Governo.

A concessão do "serviço público de tv" ao sector privado, que só existe na Nova Zelândia,

ã ser verdade, pode não passar de um expediente de diversão, já que a nossa Constituição

pode inviabilizar este negócio da china. Mas os videirinhos, apoiam a opção do Governo...

 



publicado por Evaristo Ferreira às 12:14 | link do post | comentar

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