Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

Em Agosto de 2011 o governo da Coligação PSD/CDS-PP, dirigido por

Passos Coelho [com a muleta de Paulo Portas], estava na boa graça de alguns portugueses e na expectativa de outros tantos. Era o tempo em que culpavam Sócrates pelo "colapso" da economia, quando prometiam governar com "rigor e exigência", e quando se apelidavam de "gente honrada, cumpridora da palavra dada". Passado um ano, o país está como está, sem futuro à vista, e com a economia e as finanças de pantanas. Passado um ano, os portugueses estão mais pobres, com 15,4% de desemprego, e a economia a afundar-se devido ao "colossal" corte no consumo interno. Esta "gente honrada" cavou fundo, foi "além da Troika", e conduziu o país para a miséria. Agora, vêm dizer-nos que, afinal, o Programa da Troika falhou os objectivos "devido à crise internacional". Antes de chegarem ao "pote", dziam eles que a crise era devida, em exclusivo, à ineficácia do governo de Sócrates. Não tinha a ver com mais nada, apenas com a política de Sócrates... Agora, estes incompetentes, ajudados pelos neoliberais, vêm desculpar-se com a Troika -- quando foram eles que cavaram ainda mais fundo, indo "além da Troika".

Passos Coelho sabe que está a pisar o risco, que já está para além do limite

consentido pelo povo português. Não admira, portanto, que esteja a temer uma convulsão social no país. Ao constactar agora o insucesso do seu Governo, Passos Coelho começa a recuar. Paulo Macedo, ministro da Saúde, recuou no caso dos médicos; Nuno Crato, ministro da Educação, recuou no caso dos professores com horário zero; Aguiar Branco, ministro da Defesa, recuou no caso das promoções dos militares; e Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, recuou quando aceitou algumas das reivindicações dos polícias. Até agora, só ainda não recuou Vitor Gaspar, o homem do Erário Público.

A coisa começa a tremer. O discurso de Passos Coelho está cada vez mais

destrambelhado (talvez por efeito do caso "doutor" Relvas?). Passos Coelho sabe que as coisas estão em efervescência. Antes de ir a banhos, esteve na unidade de treinos "anti-motim" da nossa polícia. Foi avaliar a motivação e a capacidade de intervenção das forças policiais.  Após esta visita (sem farda, mas de boné), Passos Coelho seguiu para Manta Rota, descansado. Terá ficado com a convicção de que, em caso de manifestações populares, sempre poderá contar com a polícia de choque. Mas nem com a polícia do seu lado, Passos Coelho e o PSD, estão descansados. Começam a ficar, todos eles, assustados. Prova desse temor, é o cancelamento da festa do Pontal, onde o PSD marcava a rentrée política. O PSD, ao temer "manifestações populares" contra o primeiro-ministro e o Governo, deixa o Calçadão da Quarteira e vai reunir, com um punhado de militantes, no salão Aquashow Park Hotel. Com esta "reforma estrutural" da rentrée política, o PSD e os seus dirigentes começam a afastar-se, cada vez mais, do povo português.

Vêm aí tempos interessantes.



publicado por Evaristo Ferreira às 17:37 | link do post | comentar

mais sobre mim
Abril 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


posts recentes

FIM DE CICLO...

A ENTREVISTA DE SÓCRATES

SÓCRATES NA RTP

PASSOS DE JOELHOS

DESCRÉDITO TOTAL

COM PAPAS E BOLOS...

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!

OS PROFETAS DOS "MERCADOS...

QUE SE LIXE O "PÚBLICO"

OS PAPAGAIOS DO COSTUME

arquivos

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

links
blogs SAPO
subscrever feeds